O Vale do Sinos esteve representado com pesquisas em dois
eventos especializados em ortopedia e traumatologia. Em março deste ano, o dr.
Fabio Arilla, 32 anos, apresentou no AAOS (American Academy of Orthopaedic
Surgeons) Annual Meeting 2016, em Orlando, nos Estados Unidos, os resultados de
pesquisa realizada na Universidade de Pittsburgh – igualmente nos Estados
Unidos – envolvendo o joelho. Essa pesquisa foi realizada em 2013 e 2014
durante estágio em cirurgia de joelho e medicina esportiva. Formado na
Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André (SP), ele realizou estágio de
cirurgia de joelho, medicina esportiva e pesquisa na Universidade de Pittsburgh.
Atualmente, Arilla tem consultório em Estância Velha.
Já no final de semana passado, Arilla esteve participando do
10º Congresso Gaúcho de Ortopedia e Traumatologia, em Bento Gonçalves. O
encontro também marcou a 2º Jornada Gaúcha da Associação Brasileira de
Fisioterapia Traumato-Ortopédica (Abrafito). Na Serra gaúcha, o especialista
apresentou oito trabalhos produzidos por ele. O Portal Martin Behrend conversou
com Arilla sobre a participação em eventos especializados.
– Como enxerga a importância de um profissional da Medicina
estar participando de eventos internacionais a fim de estar atualizado com
novas tecnologias e descobertas?
Acredito ser de extrema importância para todo
médico de qualquer área estar atualizado para poder fornecer as
melhores opções de tratamento para seus pacientes. Frequentar congressos
nacionais e internacionais é fundamental para atingir esse objetivo. No meu
caso especificamente, eu considero um privilégio poder ter tido
a experiência de acompanhar todo o processo de pesquisa em um dos
centros mais avançados do mundo e além disso poder participar deste
processo liderando alguns projetos.
– Quais os desafios da Medicina na atualidade em relação à área que atua? Onde
residem os avanços que precisam acontecer?
De forma geral, acredito que o maior desafio na medicina
seja conseguir fazer com que a população mais carente tenha acesso a
uma medicina de qualidade. Na área ortopédica especificamente, isso
significa trabalhar para desenvolver implantes melhores (placas, parafusos,
próteses, etc) a um menor custo. A ciência avança muito rapidamente
criando novas tecnologias com implantes cada vez mais eficientes. O problema é
que geralmente esse material recém desenvolvido tem um alto custo e nem todos conseguem
ter acesso. O desafio é melhorar a assistência sem aumentar o gasto
do sistema de saúde. Na minha pesquisa, por exemplo, ajudei a desenvolver
uma ferramenta para quantificar o grau de instabilidade do joelho em
casos de lesão ligamentar utilizando um processo de baixo custo.
Antes, só era possível quantificar essa instabilidade através de
um sistema com radiação infra-vermelha complexo e caro.
– E na cirurgia de joelho, quais os desafios?
Na cirurgia do
joelho, especificamente, há um desafio muito grande nos casos
de lesões da cartilagem. A cartilagem lesionada por
uma lesão traumática ou mais comumente por um desgaste devido ao
envelhecimento não se regenera. Atualmente, o tratamento mais efetivo para
diminuir a dor em casos de artrose (desgaste da cartilagem) é a substituição completa
da articulação. É um tratamento muito agressivo que deve ser evitado
em casos mais leves ou em pacientes considerados jovens para esse procedimento
(abaixo de 60 anos). Há outros tratamentos que são realizados em pacientes
jovens com lesões pontuais da cartilagem como o transplante autólogo de
condrócitos (células de cartilagem são retiradas do próprio paciente,
processadas e inseridas no local da lesão) ou até mesmo transplante de
cartilagem proveniente de cadáver, mas não são muito difundidas no
Brasil. Acredito que o tratamento de lesões condrais seja
a área que mais irá se desenvolver e se aperfeiçoar em um
futuro próximo no que se refere a cirurgia do joelho.
