Um estudante universitário, que de repente se vê ameaçado
pelas imposições e autoritarismo de um Brasil golpeado militarmente, passa a
planejar sua fuga rumo ao Uruguai.
Assim inicia a história de Fernando, personagem central da
mais nova trama literária do escritor hamburguense Henrique Schneider, que será lançada esta semana.
“A Solidão do Amanhã” procede “Setenta”,
três anos após sua estreia, e dá seguimento a experiências vividas por personagens
que se tornaram alvos dos agentes militares, durante os anos de chumbo no
Brasil.
Apesar de serem duas obras independentes, sem inter-relação
entre os personagens e a narrativa, o tema os conecta.
“Setenta”
retratou o drama da tortura experienciada por muitas pessoas durante a
ditadura. Já “A Solidão do Amanhã” aborda o exílio.
“A Solidão do Amanhã” será lançado nesta quinta-feira (16), às 20 horas, na Livraria No Pátio, em São Leopoldo.
Para o escritor hamburguense, a falta de relatos reais e literatura específica
sobre exílio foi decisiva para a escolha do novo tema. “Eu acho que
se escreveu pouco sobre exílio no Brasil. Eu não queria narrá-lo de um
ponto de vista de um cara conhecido, mas de um estudante que tem dificuldade de
começar a vida aqui no Brasil e, ainda pior, num outro país.”
Quanto à inspiração para a criação do enredo, esta surgiu de maneira
inusitada. “Em uma conversa com o jornalista Cláudio Brito, ele me
contou uma história que aconteceu com o pai dele. A partir deste relato
pessoal, se tornou fácil eu montar a narrativa do livro”, diz
Schneider.
Na jornada de busca por exílio, o personagem Fernando cruza duas cidades onde a
história é ambientada: Aceguá, no Rio Grande do Sul, e Melo, no Uruguai.
Para
retratá-las fidedignamente nas páginas do novo livro, Schneider viajou até elas
para se familiarizar com suas histórias e poder traduzi-las em sua narrativa.
Henrique, que define o processo de escrita da obra como
“muito trabalhoso, mas também muito prazeroso”, já se prepara para a
finalização da trilogia. Depois de tortura e exílio, o próximo livro deve
abordar a temática da censura.























