Durante o mês de junho, a empresa Higra, de São Leopoldo, recebeu os engenheiros do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras, localizado no Rio de Janeiro, para realizar a terceira etapa de testes das Bombas Vortex Progressiva (BVP), desenvolvidas com tecnologia sem similar no mundo que permitirão a extração de petróleo de poços profundos com menos da metade de potência das utilizadas atualmente. “São oito anos de investimentos em pesquisa que agora estão se consolidando”, relata Silvino Geremia, diretor da empresa gaúcha.
Segundo Luiz Gurgel do Amaral, gerente de Tecnologia de Equipamentos Submarinos do Cenpes, estas bombas, caso aprovadas, poderão revolucionar o processo de extração, porque permite a prospecção de petróleo pesado, localizado em áreas muito profundas e de difícil extração. “São inúmeras as peculiaridades na extração que exigem muito das máquinas e um forte trabalho de manutenção. Com o modelo proposto pela Higra, composto também por um painel manipulado eletronicamente, haverá mais segurança e rapidez para detectar problemas que, caso ocorrerem, a operação para imediatamente”, comenta Amaral.
Além dos testes do protótipo instalado na bancada da Higra, em São Leopoldo, outras quatro bombas estão na Base 34 da Petrobras, em Mossoró (RN), sendo testadas nas piores condições possíveis de bombeio. “A principal regra da Petrobras é a segurança, tanto dos trabalhadores quanto dos equipamentos e por isto testamos cada produto em seu nível máximo”, destaca Octávio Castellões, engenheiro de Equipamentos da Petrobras. O objetivo das duas empresas é de que estas bombas já estejam em operação completa no segundo semestre. O gerente da Cenpes avalia que estes equipamentos poderão ser utilizados, em curto espaço de tempo, em prospecção no alto mar, já visando as jazidas do pré-sal.
Segundo Silvino Geremia, as BVP HIGRA também irão substituir o sistema de bombeio mecânico conhecido como cavalo de pau, que é
utilizado em campos de petróleo terrestres mundiais e em grande quantidade também existentes na Petrobras. “Este sistema, quando os poços são estimulados com injeção de vapor saturado para dissolver o petróleo na formação, apresenta problemas de desgaste prematuro, o que acaba elevando o custo de produção e de manutenção”, explica. Já as BVP HIGRA são mais leves, compactas e robustas, consomem menos energia e adaptam-se às condições de cada poço. “O sistema de variação de rotação permite que a vazão seja mais facilmente regulada, aproveitando todo o potencial de produção do poço.”
A Higra encaminhou a patente da BVP junto aos órgãos nacionais, além de registrá-la em países como Canadá e Estados Unidos. Dentre os mercados-alvo da empresa está a Venezuela, onde já prospecta clientes na Faixa do Rio Orinoco, e a Rússia. “Tivemos o cuidado de fabricar cada peça de acordo com as normas internacionais ISO 9001, ISO 14001, OHSA 18001 e a norma API, empregada na área de petróleo, o que nos dá garantia de atender a demanda de todo setor petrolífero mundial”, sintetiza Geremia.
