A escrita do psicanalista Fabrício Vijales, que convida o leitor a embarcar em seu mais recente livro, “Mariposas: sobreviver sem ossos” (Editora Urutau, 124 páginas), traz o recurso do estranhamento como ferramenta reflexiva e, por vezes, desejavelmente desconcertante.
A obra será lançada com sessão de autógrafos em 20 de junho (sábado), às 16 horas, na Livraria Baobá (Rua Bento Gonçalves, 673, Centro), em São Leopoldo.
O evento contará com um bate-papo mediado pela doutora em filosofia Giancarla Brunetto, tendo as psicanalistas da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA) Carla Cervera Sei e Isadora Machado como debatedoras.
Nas bordas entre literatura e inconsciente, a escrita de Fabrício dialoga com autores como Roland Barthes e Jacques Lacan, fazendo da linguagem não apenas uma forma narrativa mas também experiência. Em seus contos em estilo prosa, Fabrício revela a fragmentação como base literária, que escancara o mosaico da condição humana e a impossibilidade de uma identidade única, fixa e imutável.
Na psicanálise, justamente, são os sonhos, atos falhos e sintomas que revelam os pedaços que se soltam das certezas sobre nós mesmos. A forma como o indivíduo se constitui também se inscreve nessas frestas e fendas que a leitura de “Mariposas” nos oferece como possibilidades de memória e travessia.
Detalhe: neste livro, não há necessidade de uma leitura ordenada, do começo em direção ao fim. Pode-se transitar do primeiro diretamente ao último conto e retornar ao título que o leitor escolher livremente no folhear das páginas, ainda que os símbolos interliguem as histórias.
Descrita pela crítica como uma “experiência de vertigem”, a nova obra do autor utiliza a metáfora da mariposa em voo ou pouso, entre o dia e a noite e da ausência de ossos para abordar o que falta de contorno ou o que é “irrepresentável” na linguagem e no corpo.
De acordo com o escritor, reconhecer um certo “não saber” implica uma outra relação com a temporalidade e o texto. “O meu livro tem também um senso contrário ao excesso de estímulo visual e à busca de respostas para tudo”, observa. “É interessante também como, atualmente, coloca-se o livro de papel como vivência do conhecimento”, observa Fabrício diante dos meios digitais. “Outro ponto que ressalto é a pausa, a conectividade e o aprofundamento que a leitura traz”, completa.
SOBRE O AUTOR
Fabrício Vijales atua como psicanalista de orientação lacaniana e escritor. Seu trabalho literário já foi reconhecido com premiações relevantes, incluindo o Prêmio Juíza Patrícia Acioli de Direitos Humanos e o prêmio Educando para o Respeito à Diversidade, ambos pelo livro “Entre Migalhas & Direitos”.
Ele é autor da obra literária “Encontro das águas – A história de Maria Emília de Mendonça” e do conto “Yaraí – A senhora das águas”, publicado em coletânea.
