A presente reportagem começa com três questionamentos sem respostas: por que a Prefeitura de Novo Hamburgo não aceita a Ciclovia Victor Nicolau Körbes? Qual o motivo da
repulsa pelo
governo do prefeito Luis Lauermann (PT) em relação a este trecho de quatro quilômetros para circulação de bicicletas? Por que o secretário municipal de Segurança e Mobilidade Urbana, Egon Kirchheim (PT), que é de Sapiranga e sonha ser prefeito num
município tomado por bicicletas, insiste em sepultar a ciclovia hamburguense? Estou há quase dois anos escrevendo sobre esse tema, mas ainda não tenho as respostas.
O que está claro: o objetivo da atual administração é tentar inviabilizar a ciclovia. Falta de interesse, descaso, omissão e manobras diversionistas acompanham a relação dos últimos meses entre o Executivo e a ciclovia. Só que a Prefeitura esqueceu um detalhe: tem muita gente interessada em ver a ciclovia tomada de bicicletas, servindo como uma alternativa ao trânsito de carros, motos e caminhões. Aliás, existe até uma política nacional em favor de espaços para ciclovias, o Programa Bicicleta Brasil, liderado por um dos ministérios do governo da presidente Dilma Rousseff (PT).
Neste contexto de defesa do espaço, o Coletivo Ciclonóia
vem acionando permanentemente o Ministério Público para denunciar irregularidades e arbitrariedades por parte da Prefeitura. A pressão do grupo já resultou na retirada de placas equivocadas – colocadas no final do ano passado – sugerindo que a ciclovia seria um espaço de calçadão. Pois bem: na calada da noite
a Prefeitura retirou essa identificação. E aí, quem reembolsará o município pelo custo de produção das placas:
o prefeito ou
o secretário?
Essa articulação propositiva e organizada do Coletivo Ciclonóia, lutando para que a ciclovia seja uma ciclovia, vem causando um nó na cabeça de quem está na Prefeitura e é contra o espaço. Um caso emblemático diz respeito ao plantio de mudas na lateral do trecho. Em maio do ano passado, o vereador Cristiano Coller (PDT) apresentou a Indicação 1233/2014, sugerindo ao Executivo “parecer técnico para arborização na lateral da ciclovia na Av. Nações Unidas… pois moradores das proximidades e usuários da ciclovia querem plantar em torno de 200 mudas de ipês amarelos, ao longo da lateral da ciclovia, por tanto solicitamos parecer da SEMAM”.
Pois em novembro de 2014, veio a resposta da indicação, assinada pelo prefeito, com a seguinte redação: “…conforme parecer técnico da SEMAM – Secretaria Municipal de Meio Ambiente, não existe espaço suficiente para o tipo de arborização pretendida, nem para sua manutenção.” Só um detalhe: em maio deste ano, a Prefeitura realizou, conforme consta no próprio Facebook do Executivo, “uma ação de plantio de 100 mudas de Ipês amarelos e roxos. A reposição florestal foi realizada entre as Ruas Carlos Germano Burckle e Caramuru. A ação foi realizada pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (SEMAM).”
Como assim? O vereador pediu parecer técnico; a Semam disse que não tinha como e o prefeito assinou; e, alguns meses depois, a Semam planta as árvores proibidas? Alô, quem está no comando? Que brincadeira é essa? Detalhe: a Prefeitura – que seguidamente tenta descaracterizar o espaço – chamou o local de ciclovia neste registro oficial. É um festival de inconsistências.
Conversando com lideranças do Coletivo Ciclonóia, eles relatam que estes são apenas mais dois casos, entre tantos outros, que apontam para desinteresse e desrespeito do Executivo. O grupo acredita que estes quatro quilômetros de ciclovia são um bem valioso para não receber atenção da Prefeitura. Eles seguirão cobrando e se reportando ao MP para que a ciclovia receba, imediatamente, sinalização horizontal e vertical adequada, além de correções em trechos – especialmente
numa curva em frente ao Atacadão, na Avenida 1º de Março.
Entrei em contato com a Prefeitura de Novo Hamburgo. Enviei
e-mail para sete integrantes da assessoria de comunicação solicitando esclarecimentos sobre o plantio das árvores e outros assuntos. O secretário municipal do Meio Ambiente, Eduardo Antônio Bonato da Rosa, não se manifestou. A Prefeitura preferiu deixar a comunidade sem esclarecimentos.

























