Pela oitava vez em 2016, os servidores do Poder Executivo do
Estado do Rio Grande do Sul estão recebendo seus salários parcelados. Não
bastasse a desvalorização de algumas categorias, os funcionários públicos estão
convivendo há meses com o drama de atrasar aluguel, pedalar contas e ficar no
vermelho no banco. Inconformados com essa situação, os mais de 65 professores e
funcionários do Colégio Estadual Dr. Wolfram Metzler, em Novo Hamburgo,
decidiram tornar pública essa indignação. E, ao mesmo tempo, mostrar a
humilhação pela qual estão passando. A revolta com a falta de reação do
governador José Ivo Sartori (PMDB) é crescente.
A fim de externar essa realidade, teve início hoje uma série
de ações que serão realizadas com o objetivo de sensibilizar a comunidade
escolar bem como a população hamburguense do impacto do parcelamento na vida
dos professores. Visitas a veículos de comunicação e reuniões com pais de
alunos estão sendo agendadas. A diretora do Wolfram Metzler, Soedy Teresinha de
Azeredo, registra o desgaste que existe entre os colegas. “Isso mexe com o
emocional de todos. O governador Sartori está brincando de administrar o Estado.
Está na hora de fazer o mínimo, que é pagar o salário em dia”, desabafa. Cabe
frisar que enquanto os salários dos professores e policiais, por exemplo, seguem atrasados, o
secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes (PMDB), estava de férias fazendo
campanha para aliados e até para candidatos de outros partidos.
A reportagem do Portal Martin Behrend esteve no colégio
nesta tarde conversando com diversos professores. A ideia do grupo é evitar uma greve,
pois o impacto seria grande na rotina dos estudantes – embora alguns alunos são
solidários e incentivem esses protestos. Muitos professores estão exaustos,
pois acabam fazendo outras atividades para poder pagar contas. Outros estão com
a conta negativa e pagando juros, pois o salário chega despedaçado. “Estamos
vivendo de migalhas”, desabafou um professor. “Isso mexe com a nossa dignidade
e com a nossa honra. É uma vergonha o que estamos passando”, completa outra
professora.
A diretora entende que no começo do governo era compreensível
alguns meses com problemas até arrumar a casa. Contudo, o governo Sartori vai
completar dois anos e a rotina segue a mesma. “Como valorizar a educação se
tratam os professores dessa forma? Que tipo de motivação temos se nem o salário
em dia recebemos? Nem estamos discutindo reajuste, mas uma obrigação básica que
é pagar salários em dia”, completa Soedí.
Para os próximos dias, professores e funcionários do Wolfram
Metzler seguirão realizando ações de divulgação dos problemas vivenciados por
professores. Colegas de outras escolas poderão ser convidados para reforçar
essa mobilização. Conforme dito anteriormente, o grupo não pretende promover
uma greve e busca uma solução antes de medidas extremas.

























