“Eu comecei a trabalhar no O 5 de Abril quando o Werner Behrend já estava dirigindo o jornal. O Hans Behrend já tinha parado. A minha primeira crônica, inclusive, foi sobre um assunto polêmico: a derrubada do Obelisco do Imigrante em São Leopoldo.
Quando eu fui procurar o Werner para começar a escrever, cheguei timidamente, pois não tinha muito conhecimento do funcionamento do jornal e também não conhecia muitas pessoas na cidade. Ele já era o dono do jornal e da livraria e da tipografia da cidade. Então, teve o episódio da derrubada de um monumento que me chateou e eu escrevi um artigo, meio forte, e procurei o ‘Mandioca’ (apelido de Werner Behrend) para poder publicar no único veículo de comunicação da cidade. Ele, meio cauteloso, conversou sobre algumas palavras usadas no texto, mas aceitou e publicou”. (Depoimento de Alceu Feijó para o livro O 5 de Abril – O primeiro jornal de Novo Hamburgo)
Há mais de dez anos, o seu Feijó tinha pedido para localizar esse artigo dentro dos 35 anos de história do jornal. Mas, por circunstâncias diversas, nunca consegui achar. Ontem, antes de ir para o lançamento do livro “Alceu Feijó – A imagem além do tempo”, pensei comigo: hoje é o dia, preciso localizar! E me fui para o arquivo de O 5 de Abril. Pesquisei novamente a data estimada em que o texto havia sido publicado e, lá pelas tantas, apareceu.
Foi na página 4 da edição de 5 de agosto de 1949 do jornal O 5 de Abril que Alceu Feijó escreveu seu primeiro artigo. “Deixem lá…” Ele assinou o texto com o pseundônimo “De Sá”, que integra o seu monárquico nome: Alceu Mário de Sá von Koseritz Feijó.
Ontem, entreguei o artigo em mãos. Ao receber o material, ele olhou pra mim e disse: “Eu tinha te pedido isso há um bom tempo”. Sim, seu Feijó. Eu demorei. Mas que bom que deu tempo. Que noite espetacular. Familiares, políticos, fotógrafos, jornalistas, empresários, escritores, artistas plásticos, personalidades… Cerca de 300 pessoas foram até a Fundação Scheffel prestigiar o lançamento do livro. Que momento. Que livro. Que trajetória – 67 anos! A propósito: parabéns para a Um Cultural por mais uma coordenação editorial maravilhosa com talentos da região.
Faltava, então, o seu Feijó ter em mãos o primeiro artigo. Antes tarde do que nunca, cumpri a missão. E, abaixo, reproduzo com a grafia original esse texto publicado há 67 anos no primeiro jornal do município de Novo Hamburgo. E, no anexo, tem o texto original reproduzido do jornal.
Deixem lá…
“Uma estátua, é apenas o símbolo de uma grandeza; nunca será uma grandeza”
Retrospecto: Atiraram a estatua do “Colono Alemão”, às águas do Rio dos Sinos. Ali, repousa, no túmulo onde nasceu. Onde iniciou esta jornada acencional, por caminhos farpados e inhospitos. Porém, mancomunados com o dever e a sinceridade.
Foi num momento de inlucidêz, que profligaram aquela expressão de uma nova era, às águas de um rio. Naquela hora, o “Cavalo de Atila” dos sentimentos daquelas pessoas, deve ter passado por seus cérebros, tornando essas mentalidades áridas e irresponsáveis. Aquêle ato, aliás, refletiu um estado de espírito perturbado pelas ideologias reinantes na época; na mór parte injustas.
Não devem pedir que desfaçam aquêle absurdp. Não! Não forcem um gesto que deve ser expontâneo, que deve brotar da compreensão… da inteligencia. Sentimentos dessa ordem, não se incitam, elês nascem da cultura; “a mãe das atitudes nobres”.
Os que prescreveram, ou os que ajudaram a praticar aquela selvageria, esqueceram-se, de que usavam sapatos feitos por artífices “Alemães”, de que se alimentavam com o feijão plantado pelo “Colono Alemão”. E êste, ao invés de se abater moralmente, com tais demonstrações, entregou-se com mais afinco ao trabalho, para demonstrar, o que ais valia para êle, era a grandeza da Pátria que o desapropriava.
Enquanto era acusado de subversiso, por sublevadores engravatados, êle suava de camisa arregaçada, para dar de comer e de vestir àqueles demagogos, que só desejavam ver seus nomes impressos e seus bustos emoldurados. Concedei, pois, a eles, as esculturas.
Deixem a estatua do “Colono Alemão”, lá onde está. Enquanto lá permanecer, não sofrerá iniquidades. DE SÁ
























