O nome da secretária municipal de Gestão, Governança e Desburocratização, Andreia Schneider Pascoal, vai se desgastando com o setor cultural de Novo Hamburgo.
O fato mais recente envolve a Notificação 239 da antiga Secretaria Municipal de Administração, atual Secretaria Municipal de Gestão, Governança e Desburocratização.
Segundo o documento, a Sociedade Recreativa Aí Vem Os Marujos deve desocupar sua sede até 28 de junho.
O pavilhão da escola fica no Parque do Trabalhador, com entrada principal pela Rua Boa Saúde – o prédio fica em frente ao Ginásio Victor Hugo Körbes. A escola está há quase 40 anos no parque. Em 2026, a Ai Vem os Marujos vai completar 75 anos de história. A fundação é de 8 de janeiro de 1951.
Embora não tenha mais participado de desfiles completos após a pandemia, a sede continua sendo ponto de encontro da comunidade carnavalesca e de projetos envolvendo capoeira, por exemplo. A reportagem encontrou a conta de água da Comusa no portão principal, confirmando atividades no espaço.

Segundo apurado com fontes, esta posição da ordem de despejo partiu da Secretaria Municipal de Gestão, Governança e Desburocratização, sem aprofundamento dos impactos da decisão numa instituição de relevância para a cultura carnavalesca da cidade. “É a sede da escola que vai mudar o futuro de Novo Hamburgo? É com o despejo da escola que o município vai dar um salto de qualidade e desenvolvimento? É lamentável a falta de um olhar humano e preocupado com a história de Novo Hamburgo”, lamentou um carnavalesco, que pediu para não ser identificado. “Essa administração quer acabar com a cultura mesmo, não tem explicação”, destacou um agente cultural da cidade consultado pela reportagem, que também pediu anonimato.
TESOUREIRA
O Portal Martin Behrend conversou com a tesoureira da agremiação, Sandra Costa Cândido Gomes. Neta de integrantes históricos da escola, ela conta que a sede é a segunda casa de muitos moradores dos bairros próximos. “Quando foi cedido o espaço no parque, o primeiro local foi um galpão. Depois, veio um segundo galpão, que foi incendiado. A sede atual foi erguida com a força da comunidade”, relata. “Aqui sempre foi um espaço de resistência, espaço de pretos”, comenta.
Ela relata que a Notificação da Prefeitura foi colocada por baixo da porta. “Quando minha mãe chegou na sede, quase passou mal. Ela não estava entendendo o que era aquele documento”, descreve. “Ninguém da Prefeitura veio conversar e saber a situação da sociedade. Não houve diálogo. Simplesmente, colocaram a Notificação por baixo da porta e foram embora”, comenta.
Integrantes buscaram uma primeira informação na Secretaria Municipal da Cultura (Secult), quando foram orientados a procurar atendimento no Centro Administrativo Leopoldo Petry. Na Prefeitura, sem avanços: a Notificação tinha de ser cumprida e era isso. “Vamos estudar ingressar com alguma medida judicial. São quase 40 anos dentro do Parque do Trabalhador. É um espaço de importância para muitos hamburguenses”, comenta Sandra, relatando que, anualmente, prestam contas para a Prefeitura para a renovação do comodato.
A tesoureira explica que, durante a semana, a sede fica fechada. Já aos finais de semana, quase sempre tem movimento e pessoas na sede. “Estamos com projetos para serem colocados em prática. Ano que vem, vamos completar 75 anos. Contudo, com essa situação, vamos repensar o que será feito”, destaca.
PREFEITURA
O Portal Martin Behrend fez contato com a Prefeitura. Foi enviado o seguinte posicionamento:
“A Administração Municipal informa que o imóvel em questão integra a
lista de bens que a Prefeitura está retomando, seja para venda em leilão
ou para instalação de serviço municipal.”
ORQUESTRA DE SOPROS
A situação da escola Aí Vem Os Marujos é mais um caso polêmico com a digital da secretária Andreia Schneider Pascoal. Outro exemplo: a decisão de romper 100% o repasse para a Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo também passou por um posicionamento firme dela.
Dentro da Prefeitura, havia o entendimento de uma proposta intermediária, afinal, a Orquestra de Sopros é um patrimônio histórico e cultural da cidade e deveria ser preservado o legado de sete décadas Mas não teve jeito: com o poder conferido para a secretária e muitas vezes se sobrepondo ao prefeito Gustavo Finck, prevaleceu o corte total dos recursos e, após mais de 72 anos, a orquestra encerrou suas atividades – que deverão ser retomadas em julho.
Existem mais medidas envolvendo outras entidades e organizações da cidade que, segundo apurado pela reportagem, são tratados friamente como números. Não é levado em conta relevância histórica, cultural, social e econômica. Vale a tabela Excel.
A Aí Vem os Marujos é apenas mais um número na tarefa de tirar do caminho aquilo que não está dando resultados para a Secretaria de Gestão, Governança e Desburocratização.

























