Esta reportagem começa com a descrição de três áreas/terrenos em Novo Hamburgo.
Área 1: Ciclovia Victor Vicolau Körbes
O espaço criada para circulação de bicicletas – seguidamente desrespeitado por pedestres e hamburguenses que invadem a área para caminhar – está interditado pela Prefeitura. O motivo: enormes crateras que colocavam em risco quem utilizada a ciclovia – principalmente na região do Centro, bairros Ideal e Pátria Nova.
Área 2: Terreno em frente à Estação Santo Afonso da Trensurb
O imóvel foi utilizado durante as obras de retorno do trem a Novo Hamburgo. Há anos, serve como depósito de lixo descartado de forma irregular, queima de resíduos, consumo de drogas, propagação de insetos, entre outros problemas. Parte do imóvel está com acesso liberado, provocando movimentações suspeitas.
Área 3 – Quarteirão em frente à Estação Novo Hamburgo da Trensurb e ao lado do Bourbon Shopping
Há alguns anos, existiam negócios neste imenso terreno – comércios, prestadores de serviços. Estes negócios geravam dezenas de empregos diretos, aumentavam a arrecadação detributos para o município e movimentavam a economia do bairro. Os imóveis foram desapropriados pela Trensurb.A intenção era construir um Complexo Intermodal, conectando o trem com ônibus, táxis, aplicativos, bicicletários, além de um centro comercial.
Há mais de uma década, nada saiu do papel. O que tem ali é mato, capim tomando conta das calçadas e, recentemente, a instalação de um parque de diversões e um circo. No lugar de empresas e negócios que ali estavam empregando trabalhadores e gerando tributos, palhaços e carrossel.
O que existem em comum entre estas três importantes e/ou estratégicas áreas localizadas em Novo Hamburgo?
A responsabilidade pela manutenção e zelo é da Trensurb, estatal vinculada ao governo federal.
DESCASO
Não dá para dizer que essa situação é uma palhaçada em respeito aos profissionais que fazem as pessoas darem gostosas risadas. Mas o que está ocorrendo é um descaso com a cidade e com seus moradores.
Área 1
No caso da ciclovia, o Portal Martin Behrend vem acompanhando desde o ano passado a situação das crateras. São mais de seis meses de espera pela manutenção. Preocupada com o risco de acidentes e em razão da falta de ação da Trensurb, a Prefeitura interditou trechos da ciclovia: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…
A Trensurb informou que abriu licitação para contratar empresa a fim de realizar reparos, mas não apareceram empresas interessadas. A Trensurb, por enquanto, não tem solução para resolver tantos buracos que seguem aumentando de tamanho em razão da erosão.
Área 2
Moradores se queixam há bastante tempo do lixo que é descartado de forma irregular. É claro que a população sem educação tem parte da responsabilidade, pois faz o descarte indevido. Mas a situação é facilitada pelo acesso liberado ao enorme terreno, onde acontece de tudo e mais um pouco.
Segundo apurado pelo Portal Martin Behrend, existe a possibilidade deste imóvel receber uma nova unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense (IFSul).
Área 3
O quarteirão ao lado do Bourbon Shopping tinha negócios em operação até o começo da década de 2010. Marcas importantes tinham negócios ali, como Caixa e McDonald´s. Também existiam comércios tradicionais, como o Palácio da Música. Dezenas de pessoas trabalhavam nestes locais, gerando renda e tributos.
A Trensurb desapropriou – pagou com dinheiro público – e nunca tirou um projeto do papel. O Portal Martin Behrend chegou a divulgar algumas intenções, como em 2017 – “Trensurb aprova projeto de complexo de integração em Novo Hamburgo” – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… , e em 2019 – “Complexo Intermodal junto à Estação Novo Hamburgo da Trensurb não tem previsão para aprovação do projeto – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
Ao invés de ter negócios, empregos e movimentação da economia no local, a Trensurb vem locando o espaço para parque de diversões e circo – com reclamações constantes dos vizinhos em razão de poluição sonora e perturbação do sossego – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
Já nas calçadas ao redor do terreno, o que se tem é uma pequena selva. A empresa respondeu ao Portal Martin Behrend que iria fazer a capina até o final de fevereiro – https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… . Já estamos em 4 de março e o capim segue ganhando espaço no passeio público.
POSICIONAMENTO
O Portal Martin Behrend procurou a direção da Trensurb para se posicionar sobre a situação destas áreas. Através da assessoria, foi informado que: “A Trensurb não irá se manifestar no momento.”
O Portal Martin Behrend também procurou a Prefeitura de Novo Hamburgo para avaliar a situação. Foi enviado o seguinte posicionamento:
“O Município reconhece a importância que o acréscimo da
linha do trem até Novo Hamburgo trouxe para a cidade. No entanto, isso não
exime a Trensurb da manutenção e cuidados de espaços de sua responsabilidade no
município. Por isso, a administração municipal tem cobrado soluções.
Em relação
à ciclovia, representantes da Prefeitura já se reuniram diversas vezes com a
equipe da Trensurb para tratar dos buracos e o crescente número de pontos de
erosão. Por segurança dos usuários, Executivo Municipal interditou a ciclovia e
tem insistindo para que a Trensurb realize a devida manutenção.
Já sobre a área
ao lado do shopping, o Município tem total interesse que a Trensurb dê um
destino ao terreno. Para isso, já contribuiu apresentando ideia para possível
destinação do espaço. Além disso, está à disposição da Trensurb para integrar
grupo de trabalho para tratar da questão, porém cabe ao governo federal decidir
sobre o que fazer com a área.
Quanto ao terreno em frente à Estação Santo
Afonso, a Prefeitura já notificou a Trensurb sobre a manutenção e limpeza da
área que, em notícias mais recentes, deverá ser cedida para o Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul), o que conta com
grande apoio da administração pública.”
DESESTATIZAÇÃO
O diretor-presidente /Fernando Marroni anunciou, nesta terça-feira (5), a retirada da Trensurb do Plano Nacional de Desestatização (PND). A decisão do governo federal se alinha ao compromisso do diretor-presidente e da atual gestão da empresa com a preservação dos serviços públicos e sua visão estratégica para o fortalecimento da estatal.
Para Marroni, “a Trensurb desempenha um papel vital na conectividade e mobilidade da nossa região, e queremos assegurar que continue a fazê-lo com eficiência e acessibilidade para todos os cidadãos”. O diretor-presidente considera que a decisão pela retirada do PND é mais um passo na direção da promoção do desenvolvimento sustentável e da melhoria da qualidade de vida para a população.
Resumindo: a diretoria da Trensurb comemora que não será privatizada. E o descaso com Novo Hamburgo deverá continuar…

























