Aos 81 anos, faleceu Jimmy Cliff – e ele circulou nas Bancas de Novo Hamburgo

Um dos maiores nomes do reggae mundial teve sua morte confirmada nesta segunda-feira (24)

Uma das maiores lendas do reggae em todos os tempos descansou

Jimmy Cliff morreu nesta segunda-feira (24), aos 81 anos.

Latifa Chambers, sua mulher, anunciou a morte do cantor em suas redes sociais. “É com profunda tristeza que compartilho que meu marido, Jimmy Cliff, morreu devido a uma convulsão seguida de pneumonia. Agradeço à família, amigos, colegas artistas e colaboradores que compartilharam esta jornada com ele.”

Jimmy Cliff é um dos pioneiros do reggae e é considerado uma verdadeira lenda do gênero musical que surgiu na Jamaica. A longa carreira do cantor começou oficialmente em 1967, com o disco Hard Road to Travel.

E foi esse artista de repercussão global que também deixou sua marca por Novo Hamburgo.

ESTÚDIO E BANCAS

Nesta segunda-feira, a reportagem do Portal Martin Behrend conversou com Luis Fernando de Souza, o Cegonha, e Eduardo Almeida. Foram eles que recordaram detalhes da passagem do astro do reggae no Vale do Sinos.

Jimmy Cliff veio, em 1997, participar de um festival de música no Vale do Sinos. O astro e seus companheiros de show estavam hospedados no Hotel Suarez Executive, ao lado do Colégio Pio XII, em Novo Hamburgo. E eles precisavam ensaiar e manter o entrosamento.

À época, o gerente do hotel tinha aulas no estúdio de Cegonha. Aliás, até hoje está em atividade o Em Pauta Estúdio e Escola de Música, na Rua Oswaldo Cruz, no bairro Primavera. A indicação foi ir neste estúdio – que fica a cerca de cinco minutos do hotel. Foram três dias de ensaios e um fato inusitado: o festival acabou não ocorrendo, foi cancelado.

Das lembranças que ficaram, teve um dos dias que em que Cegonha quase não conseguiu acessar o próprio estúdio. “Tentei entrar, mas a Guarda Municipal não estava deixando. O motivo era a aglomeração que tinha no local com os moradores sabendo quem estava lá. Depois de alguma conversa, consegui comprovar para os guardas que eu era o dono do local”, relembra.

Cliff esteve presente em apenas um dos três dias no estúdio. Quando o astro passou por lá, houve a recomendação para não se tirar fotos do astro. Naquela época só existiam câmeras com filmes e recursos técnicos mais limitados, então, era ainda mais complicado tentar algum registro.

Já outros integrantes da trupe se deixaram fotografar e deram autógrafos, como os registros abaixo repassados ao Portal Martin Behrend. As fotos são em frente ao estúdio na Rua Oswaldo Cruz:

 

Entre as recordações, Cegonha lembra que arrumaram um espaço interno para eles passarem o som e alcançaram um microfone dourado para ele cantar. “Eu tinha comprado faz pouco tempo um aparelho Ultracurve da Behringer. E o operador do grupo curtiu o equipamento. Ele tirou um som que eu nunca vi nada igual. Foi impressionante”, relembra Cegonha. “Ele estava com a filha, que fez exercícios numa bicicleta ergométrica. E também autografou um CD da nossa banda, mas ninguém sabe onde foi parar. Aliás, eu tinha recém lançado um trabalho instrumental, apresentei para ele e sua opinião foi: não vai dar certo. Faz parte”, relembra dando uma boa risada.

E AS BANCAS

E onde entram as famosas Bancas de Novo Hamburgo? “Ao final do ensaio, eles estavam com fome. Acho que era noite de sexta-feira, não tinha muitas opções abertas. Então, sugerimos as Bancas. E o Jimmy Cliff pagou um rango pra galera lá nas Bancas”, recorda. “Faz quase 30 anos, infelizmente, não era tão simples para fazer fotos. Ficou na memória da galera”, completa.

AINDA SOBRE JIMMY CLIFF

Através das décadas, Cliff lançou dezenas de álbuns e singles e ganhou o Grammy pelos discos Cliff Hanger (1985) e Rebirth (2012). Realizou grandes turnês pelo mundo todo e tem uma relação especial com o Brasil.

Em 1968, participou do Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro e se tornou muito querido por aqui, o que o fez voltar várias vezes. Se apresentou no país em anos como 1984, 1990, 1993 e 1998.

Ele até chegou a morar no Rio de Janeiro e em Salvador durante alguns anos.

Boa parte de suas canções eram de protesto ou abordavam temas sociais, assunto de grande interesse de Cliff. Entre seus maiores sucessos estão músicas como “Reggae NIght”, “Rebel in Me”, “We All Are One”, “Many Rivers to Cross”, “Vietnam”, “I Can See Clearly Now” (de Johnny Nash), entre outros.

Seu último disco, Refugees, foi lançado em 2022. Com informações complementares da Agência Brasil.

 

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