Considerada a maior intervenção no saneamento básico na história do Vale do Sinos, o milionário investimento para tratamento do esgoto doméstico em Novo Hamburgo segue evoluindo. Contudo, dois imprevistos registrados nos últimos meses deverão atrasar a conclusão das obras. O investimento é superior a R$ 150 milhões e promete ampliar o percentual de esgoto tratado de 2% para 80% no município.
Quando os canos começaram a ser enterrados em frente ao Bourbon Shopping, em março de 2011, na gestão do ex-prefeito e atual deputado estadual, Tarcísio Zimmermann (PT), se anunciava que em cinco anos – março de 2016 – os hamburguenses iriam comemorar a entrega da melhoria. No final do ano passado, realizei entrevista para o blog – http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=358 – e já se previa a conclusão até dezembro de 2016. Agora, a Comusa – Serviços de Água e Esgoto de Novo Hamburgo
já trabalha com a possibilidade de conclusão em 2017.
Recentemente, a Comusa anunciou que as plantas que farão o tratamento do esgoto passaram a ser cultivadas no município – destaque no blog em –
http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=797. As plantas aquáticas, popularmente conhecidas como taboas, serão utilizadas na futura Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Luiz Rau/Pampa, que será construída no bairro Santo Afonso. A tecnologia, importada da Espanha, propõe tratar o esgoto com filtros de plantas macrófitas em flutuação. Ou seja, utilizar as taboas para depurar os resíduos antes de despejá-los no Rio dos Sinos.
Entrei em contato com a assessoria de imprensa da Comusa para atualizar o andamento das obras. Recebi o seguinte esclarecimento:
“Neste ano, a Comusa enfrentou dois problemas:
– Um deles está relacionado aos tramites dos projetos junto à Caixa, que demoraram mais que o previsto, devido à exigência do banco em relação ao repasse dos recursos oriundos do financiamento. Isso exigiu
esforço da Comusa no ajuste de projetos para atender as exigências da Caixa, inclusive com esforço exclusivo de engenheiros e demais técnicos, que se dedicam para atender prazos e determinações do banco. Esse processo está praticamente superado.
– O outro está ligado ao licenciamento ambiental da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Luiz Rau/Pampa. Em março de 2015, o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) passou a considerar novos padrões de lançamento de efluentes das ETEs em todo o Estado, sendo que os projetos da Comusa atendiam a resolução 430 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que vigorava na época da elaboração do projeto. Os novos padrões eram mais exigentes e só valeriam no RS, sendo que no restante do Brasil permanece a 430. Com auxílio do Comitesinos e da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), a Fepam considerou que permanecessem as exigências vigentes na época de elaboração do projeto e que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) fosse a responsável para emitir o licenciamento. A Comusa aguarda, agora, o licenciamento por parte da Semam.
Ou seja, a Comusa estava prevendo entregar tudo em 2016. Mas com esses imprevistos, provavelmente este prazo se estenderá, ainda sob avaliação."
É importante destacar que estas obras se tornam cada vez mais necessárias e urgentes a partir de incômodas confirmações de pesquisas. Uma delas, desenvolvida pelo programa em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale, detectou ser o esgoto doméstico a principal causa da poluição no Rio dos Sinos. Entre 2010 e 2012, em nove cidades da área do rio, foi realizado um levantamento das suas águas em parceria com a Corsan para apontar os níveis de contaminação, tendo sido detectados adenovírus humanos e adenovírus de origem animal. A presença desses vírus indica que o problema imediato em relação à poluição do Sinos diz respeito ao esgoto doméstico. Ou seja, o ideal
é que se organizem políticas públicas que deem conta de tratar o esgoto doméstico antes de ser lançado ao Rio dos Sinos.
