Aquela que é considerada a maior obra de saneamento básico na história do Vale do Sinos segue dentro do seu ritmo normal.
O investimento superior a R$ 150 milhões, que promete ampliar o percentual de esgoto tratado de 2% para 80% em Novo Hamburgo, vem ocorrendo conforme programado e deverá ser concluído até 2016 – cerca de cinco anos após o início das obras.
Os mais de R$ 150 milhões são oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com uma contrapartida de 10% do município. As obras foram lançadas em março de 2011 pelo ex-prefeito Tarcísio Zimmermann (PT).
Quem atualiza as informações é o diretor-geral da Comusa, Mozar Dietrich. Entrei em contato com a assessoria de imprensa da Comusa, que prontamente viabilizou o repasse das informações.
1) Quando começaram as obras, em março de 2011, se falava que em cinco anos estaria concluído. Em março de 2016 as obras estarão prontas?
Está dentro do previsto. A previsão é que em 2016, não necessariamente em março, estará tudo pronto. Cabe ressaltar, que em 2011, tínhamos a projeção de duas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), uma para o Arroio Pampa e outra pro Luiz Rau. Por uma questão de economia e sustentabilidade, se resolveu construir uma ETE apenas para esses dois grandes arroios. Isso demandou refazer alguns projetos, como o das ETEs, fazendo uma só, a ETE Luiz Rau/Pampa.
2) Qual o percentual já concluído das obras?
É um cálculo complexo. Mas dá para detalhar assim:
– Sistema Luiz Rau:
Interceptores e Estação de Bombeamento de Esgoto (EBE) – 90%
Linha de recalque: 20%
ETE: 0%
– Sistema Pampa: 0%
– Sistema Roselândia: 0%
3) O que está sendo feito neste momento e o que estará ocorrendo no começo de 2015?
A Comusa aguarda a aprovação por parte da Caixa de alguns projetos. Isso deve ocorrer entre o final deste ano e o início do ano que vem. Feito isso, a licitação é aberta para a construção da ETE Luiz Rau/Pampa, de todo o sistema Roselândia (inclusive a ETE) e os interceptores do Arroio Pampa. Nossa previsão é de que, assim que isso acontecer, as obras se concluem em até dois anos, já justificando a resposta anterior.
4) A Prefeitura tem 100% de certeza que a cidade tem perfil para o tratamento com as plantas, as macrófitas? Recebi informação de uma pessoa do setor dizendo que este tratamento é positivo para cidades de menor porte, com menor índice de poluição. Segundo esta pessoa, Novo Hamburgo tem um esgoto muito poluído que poderá matar as plantas, ao invés das plantas realizarem seu trabalho. Tem fundamento?
Não tem fundamento. A grosso modo, o esgoto produzido numa cidade menor é o mesmo que numa maior, só que em maior proporção. Então, é questão de adaptar o sistema proporcionalmente à quantidade de esgoto que precisa tratar, com mais plantas, lagoas maiores, etc. Já foram feitos muitos testes, não só pela Comusa, mas também por técnicos da Feevale, usando o esgoto produzido em Novo Hamburgo. E, até agora, todos os testes com total êxito. As plantas não morrerão. Aliás, elas são capazes até de se clonarem, o que torna o sistema ainda mais eficaz. Para se ter uma ideia, a Comusa implantou uma espécie de protótipo do sistema com as macrófitas na ETE Mundo Novo. Mas nem de perto com todas as etapas que o sistema exige. Basicamente, se colocou as plantas sobre o tanque com esgoto para ver o que ocorria, qual seria o comportamento das macrófitas, entre outros fatores. E o que se vê é o esgoto sendo tratado pelas plantas, mesmo que de forma muito rudimentar, com a água saindo praticamente límpida. Imagina, então, com o sistema todo, com toda a tecnologia funcionando.
