O Esporte Clube Novo Hamburgo é líder isolado do Campeonato Gaúcho 2017. Com duas vitórias sobre Caxias e Inter, essa arrancada positiva tem gerado uma série de repercussões entre torcedores do Noia e moradores de Novo Hamburgo. A maioria tem sido de entusiasmo com a campanha da equipe comandada por Beto Campos, mas tem muitos hamburguenses que estão desdenhando e debochando do anilado.
Muitos dos que estão corneteando nas redes sociais são os mesmos que vão em grupos nas redes sociais dizer que estão preocupados com o futuro de Novo Hamburgo. Dizem que a cidade está largada, que falta amor, carinho, cuidado, mas são os primeiros a maltratar o time que foi criado em 1911 – quando Novo Hamburgo ainda era um distrito de São Leopoldo. Cinco vezes vice-campeão gaúcho, considerado o clube mais vezes campeão do Brasil na década de 1950, clube do interior do Estado com mais participações no Campeonato Gaúcho, o anilado tem larga tradição no futebol estadual.
Estes que ficam tripudiando o Noia desconhecem ou ignorar algumas realidades. O Esporte Clube Nov o Hamburgo é um grande fomentador da economia local. Jogadores alugam apartamentos, famílias fazem compras em mercados, esposas de jogadores vão nos salões de beleza e gastam no comércio hamburguense, o clube contrata serviços locais para dar suporte ao time profissional, o bar compra alimentos em supermercados, os carros dos atletas são abastecidos em postos de combustíveis do municipio, etc. O Novo Hamburgo faz a economia de Novo Hamburgo girar.
Nesta segunda-feira, um ex-presidente do Esporte Clube Novo Hamburgo, Bruno Fehse, publicou no seu perfil no Facebook um desabafo sobre essa situação. Fehse, que vem de uma família de grandes anilados, autorizou a publicação no Portal Martin Behrend.
“Alegria pelo Noia e tristeza por alguns moradores de nossa cidade. Todos sabem e estão falando da atuação (brilhante, diga-se por sinal) diante do Inter, sábado à tarde, em Porto Alegre. Começaram a acontecer muitas brincadeiras via redes sociais e, na verdade, mais por parte dos gremistas do que a própria torcida anilada. Eu não me sinto concorrente da dupla Gre-Nal ,e tenho consciência da diferença de grandezas deles perante os clubes do interior do Rio Grande do Sul.
A minha grande decepção é ver piadas de moradores de Novo Hamburgo ridicularizando o ECNH. Eu, quando pequeno, era considerado quase um extraterrestre na escola, pois dizia e digo até hoje que não torço para Grêmio e Inter. Vivemos numa sociedade que somos acostumados a gostar de quem ganha e do que a grande maioria gosta. Não é esta a questão mesmo. Entendo com isso que a maioria das pessoas goste de um ou do outro, mas não precisam torcer contra ou ridicularizar o time da nossa cidade. É muito feio cuspir no prato que se come. Nosso time existe há mais tempo que a nossa cidade é cidade…
Cavalo paraguaio, entre outros nomes ou comentários, ficam muito feio ou inoportunos num momento que a própria cidade está colhendo os frutos da liderança do campeonato. Não temos a pretensão de ser maior ou melhor que Grêmio ou Internacional, mas merecemos e exigimos respeito. Quem estiver falando mal do ECNH está denegrindo ou diminuindo a própria cidade ou os moradores da mesma. O time ou clube é a cara que a cidade merece ser. Nem gremista e nem colorado. Eu sou é anilado!”
