Será que tem alguém da oposição cuidando da assessoria e da imagem do prefeito Luis Lauermann (PT)? Só isso explica o fato de o chefe do Executivo ter aberto espaço na sua agenda para receber com entusiasmo e sorrisos o árbitro Jean Pierre de Lima (aspirante Fifa). O juiz é considerado persona non grata por alguns torcedores do Esporte Clube Novo Hamburgo desde o episódio em que ele rotulou, injustamente, equivocadamente e covardemente, a torcida anilada de ser racista. O Noia virou manchete nacional – mas de forma negativa! O clube foi julgado e multado em R$ 10 mil pelo episódio, registrado em março de 2012.
Para quem não está recordando o acontecido, Novo Hamburgo e Caxias se enfrentaram no Estádio do Vale, em 24 de março de 2012, em duelo pelo Gauchão. O Noia venceu
por 1 a 0.
Eis que, alguns dias depois, aparece a súmula da partida. Nela, Jean Pierre cita que “a conduta da torcida mandante foi ruim, em função de que sempre que o atleta da SER Caxias, número 9, Vanderlei, tomava posse da bola, um grupo de torcedores do Novo Hamburgo passava a chamá-lo de macaco, ostensivamente e insistentemente”.
No dia do jogo ninguém percebeu o que foi relatado pelo árbitro. Nem o jogador, nem as direções de Novo Hamburgo e Caxias. O próprio Vanderlei nada comentou pós-jogo. Contudo, a súmula apareceu e nela veio o rótulo: “… torcida mandante… grupo de torcedores do Novo Hamburgo…” Jean Pierre jogou tudo no ventilador. Em minutos, a torcida anilada virou racista aos olhos do Brasil. Tremenda injustiça, equívoco e covardia. Vejam a manchete de um blog de outro Estado: “Torcedores da cidade de Novo Hamburgo envergonham o Brasil”. Baita
prejuízo na imagem da cidade e do clube. Quem vai arcar com esses danos morais?
A questão é: como num jogo com 350 torcedores ninguém observou esse comportamento relatado por Jean Pierre? Mais tarde, após investigações e com auxílio de imagens, a própria torcida indicou um cidadão como responsável, individualmente, por supostos
xingamentos. À época, a direção anilada reagiu afirmando: “É uma grande inverdade tudo que está escrito. Recebemos com muita surpresa. Nunca tivemos histórico de racismo e somos totalmente contra isso.”
Pois esse mesmo Jean Pierre esteve, na semana passada, nessa “terra da racistas” como convidado de um curso de capacitação para árbitros em competições e eventos comunitários promovido pela Prefeitura. Ele participou da penúltima aula e, durante sua passagem, foi recebido no gabinete do prefeito Lauermann. Estiveram no encontro
o titular da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL), Ricardo Ritter, o Ica, o coordenador da Praça da Juventude, Daniel Bins, o secretário especial de Gabinete, Gilmar Valadares e o árbitro hamburguense, da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) e aspirante a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Jonathan Pinheiro.
Espero que, durante o curso, Jean Pierre
tenha orientado os 28 alunos participantes a terem mais responsabilidade ao registrar
fatos na súmula. Que ele tenha repassado a importância de se certificar sobre
aquilo que vai ser registrado. Espero que Jean Pierre tenha aprendido com seu erro, que acabou rotulando de forma genérica e errada uma torcida e uma comunidade. Ao que me consta, ele nunca pediu desculpas aos anilados. Humildade é outro predicado importante para um árbitro de futebol.
PS: Dia desses, o prefeito Lauermann recebeu visitantes de Flores da Cunha para divulgar uma festa que ocorreria juntamente com a feira Loucura por Sapatos. Já lideranças do município e jornalistas hamburguenses não conseguem espaço na agenda do prefeito. Estranhas prioridades de alguém que deveria defender e valorizar o seu município.
