Imagine-se em um mundo onde tudo é barato, acessível, automatizado e disponível à todas as pessoas. Sem distinções ou preferências diferenciadas. Um mundo em que a harmonia é a prioridade, o individualismo é coisa de museu e a fraternidade impera.
Prometo levar você a um futuro desejado que está a nossa disposição desde que nascemos. Como assim?
Quando se pensa em realizações, a mente, executora por excelência, nos leva às conquistas concretas: casa, carro, empresa, viagem, prédios, mercados, premiações, títulos, dinheiro na conta, luxo, poder, influência, posição social e tantas outras coisas.
Não nos cansamos de premiar estas conquistas concretas. Almejamos elas: quero ser rico, famoso, influente, poderoso.
Lembro-me de um palestrante famoso, mundialmente, que contava uma história muito interessante. Infelizmente ele partiu este ano aos 98 anos: Divaldo Pereira Franco. Ele estava em uma residência na Europa de uma pessoa muito rica e influente. O anfitrião mostrou toda a sua residência, seus jardins, suas belezas naturais conquistadas.
Curiosamente, em meio a todo aquele esplendor, Divaldo foi levado a um quarto especial na residência. O anfitrião disse:
– Sempre que preciso de apoio em minhas decisões, quando as situações não estão muito boas, venho aqui.
No meio do quarto, uma figura interessante: um Buda de ouro maciço de 1,5 metros de altura. O anfitrião continuou:
– Pergunto ao meu Buda quais as respostas às minhas questões. Ele nunca me respondeu. Fico aqui esperando, mas nada acontece. Acredito que um dia acontecerá….
A conversa entre os dois seguiu de forma amistosa e educativa. As lições devem ter sido maravilhosas.
Fico aqui me perguntando:
– O que aprendemos com esta situação? Será que nossas respostas estão fora de nós, nos bens, nas posses, no poder, no dinheiro? No próprio ser? Em Deus?
Nascemos com a maior riqueza do universo: o amor. Ele é mais forte do que qualquer martelo, mais duro do que qualquer pedra, mais mole do que qualquer gelatina e mais amplo do que qualquer telescópio.
O amor está à nossa disposição 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Eterno, infinito e latente em todas as situações. Da menor à maior expressão do amor, exercemos a cada segundo esta dádiva da Criação.
Entendo que nossa maior realização na vida é saber exercê-lo sem limites e com a intensidade de milhares de Sóis.
Sua energia sutil perpassa todas as criações e criaturas. Precisamos entender o que isso significa em nossa rotina diária.
Na busca pelo sentido do amor em nossas vidas, vale recordar que sua manifestação ocorre de formas variadas, cada uma refletindo nuances da experiência humana. Tradicionalmente, a filosofia grega identificou diferentes tipos de amor, e essas definições continuam a iluminar nossos sentimentos e relações:
Amor Ágape: um amor incondicional, generoso e altruísta, que não espera retorno. É o amor compassivo, que se doa e cuida, frequentemente associado ao amor universal ou espiritual.
Amor Storge: o amor natural, instintivo, geralmente presente nas relações familiares, como entre pais e filhos. É discreto, constante, construído na convivência diária.
Amor Philia: o amor da amizade, marcado por confiança, respeito e parceria. É a afinidade entre aqueles que compartilham interesses e valores, sustentando laços de companheirismo ao longo do tempo.
Amor Eros: o amor apaixonado, carregado de desejo e atração física. Inspira romance, criatividade e intensidade, impulsionando encontros marcados pela emoção.
Amor Ludus: um amor lúdico e divertido, presente nos flertes, brincadeiras e no início de muitos relacionamentos. É leveza e espontaneidade.
Amor Pragma: amor prático e maduro, construído com o tempo, pautado por compromisso e entendimento mútuo. É a escolha consciente de caminhar lado a lado.
Amor Philautia: o amor-próprio, essencial para uma vida equilibrada. Respeitar-se e cuidar de si forma a base para amar e ser amado.
Além dessas tipologias, as cinco linguagens do amor, identificadas pelo Dr. Gary Chapman, também contribuem para compreendermos como cada pessoa expressa e recebe carinho de forma única. São elas:
- Palavras de afirmação: quando gestos verbais reconhecem e valorizam o outro;
- Tempo de qualidade: marcado pela atenção plena e momentos compartilhados;
- Presentes: que simbolizam cuidado e lembrança;
- Atos de serviço: expressos pelo desejo de facilitar a vida do outro;
- Toque físico: representando aconchego, proximidade e segurança.
Entender essas linguagens nos ajuda a fortalecer vínculos e criar laços mais profundos em nossas relações. E o que a neurociência nos ensina sobre o amor?
À luz dos estudos mais recentes da neurociência, compreende-se que o amor é também fruto de intrincadas interações químicas e circuitos cerebrais.
A paixão inicial está profundamente ligada à liberação de dopamina e noradrenalina, neurotransmissores responsáveis pela euforia, motivação e pelo foco intenso na pessoa amada.
O apego e a construção do vínculo, por sua vez, envolvem a atuação da ocitocina e da vasopressina, substâncias que promovem confiança, segurança e o desejo de permanência ao lado do outro.
O amor, portanto, transcende o aspecto emocional ou filosófico, manifestando-se como um fenômeno biológico multifacetado, capaz de remodelar funções cerebrais, influenciar decisões e até mesmo fortalecer a saúde física e emocional.
Este entendimento neurocientífico revela que amar é um processo dinâmico, que integra mente, corpo e contexto social, tornando a experiência amorosa ainda mais rica e complexa.
O amor é sentido, estudado, questionado, desvalorizado, subentendido e, ao mesmo tempo, é objeto de busca de uma infinidade de pessoas.
Pessoalmente, sempre busquei sua maior expressão, sua força, sua sensação e seu frescor. Se me perguntarem qual a maior realização de minha vida, eu direi:
– É saber amar para além das fronteiras do eu.
Os efeitos desta conquista interior são fantásticos. Eles se expandem a partir das intenções e pensamentos, gerando ações e realizações. Elas são o efeito de uma causa interior sublime.
Por isso, pergunto a você: qual a maior realização da sua vida? Seja qual for a resposta, o importante, antes de tudo, é saber que o que se realiza externamente a nós começa internamente.
O mundo que citei no início do artigo é aquele que está embebido no amor a si, aos outros e ao mundo. É tão impactante esta afirmação, que a história se divide em A.C.D.C. (antes de Cristo e depois de Cristo).
Acredite: descobrir o amor em si é uma realização grandiosa!
Perceba cada detalhe de seus pensamentos e sentimentos. Exerça o amor a cada respiração. O mundo que você deseja começa dentro de cada um de nós.
Só ofertamos ao mundo o que temos a oferecer. Ofereça o amor!
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
