O que parecia impossível em 1916 e hoje é realidade?

Como estamos tentando construir hoje aquilo que ainda não sabemos se será necessário amanhã?

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

E o que estamos construindo hoje que poderá parecer óbvio em 2126?

Uma pergunta saudosista, romântica e realista. Muitos de nós ainda não entenderam como estamos evoluindo como sociedade e o que pode nos esperar. Compreender que estamos em permanente transição e aprendizado deixa de ser uma simples mudança na forma de pensar: se transformou em necessidade.

O objetivo deste texto é provocar líderes e inovadores a refletirem sobre o papel da imaginação e do protagonismo humano em um mundo de rápida transformação tecnológica.

Em 1916, o mundo operava sob limites biológicos, físicos e tecnológicos que pareciam intransponíveis. Durante a Primeira Guerra Mundial, infecções bacterianas simples eram sentenças de morte por falta de antibióticos, e a estrutura do DNA sequer era conhecida.

Hoje, a medicina dispõe de antibióticos capazes de tratar inúmeras infecções bacterianas, realiza transplantes de órgãos e diagnostica doenças com imagens de alta precisão sem precisar abrir o corpo.

Na comunicação e no processamento de informações, a transformação foi igualmente radical. A transmissão de dados dependia de cartas levadas por navios ou de mensagens telegráficas limitadas.

A ideia de carregar no bolso um dispositivo móvel com capacidade computacional, inimaginável em 1916, pertencia estritamente ao domínio da ficção científica.

No transporte e na exploração espacial, as barreiras de distância e gravidade foram rompidas. Enquanto a aviação de 1916 se restringia a biplanos experimentais de madeira e tecido, a aviação comercial moderna cruza oceanos em jatos pressurizados e os satélites permitem a navegação por GPS em tempo real.

Mais do que isso, a humanidade colocou astronautas na Lua, estabeleceu estações espaciais permanentes e enviou sondas aos confins do Sistema Solar.

Essa evolução histórica traz uma reflexão direta para a gestão e a inovação: quando o extraordinário de ontem se torna a commodity de hoje, a resposta não está mais no quanto conseguimos processar ou produzir, mas na capacidade da liderança de direcionar o valor humano que a tecnologia impulsiona.

Como estamos tentando construir hoje aquilo que ainda não sabemos se será necessário amanhã?

Atualmente, grandes empresas criam “mini-cidades” ou laboratórios vivos (living labs) para testar tecnologias em condições reais de uso urbano — não apenas em laboratórios ou pistas fechadas.

O objetivo principal é validar mobilidade autônoma, robótica, energia, infraestrutura inteligente, IA e serviços do dia a dia com pessoas reais morando e interagindo com as inovações.

Por que fazem isso?

Para contar com um ambiente controlado, porém realista. Diferentemente das vias públicas, onde existem regras rígidas, riscos de responsabilidade, questões de privacidade e dificuldade de instrumentar tudo, nesses espaços é possível instalar sensores em massa, alterar regras de trânsito, testar protótipos com menos restrições legais e coletar dados de forma contínua.

Além disso, evitam-se as limitações dos testes laboratoriais, que não conseguem reproduzir condições reais como chuva, interações humanas complexas ou logística do dia a dia.

Esse modelo também permite feedback humano genuíno: residentes (chamados “Weavers” no caso da Toyota) vivem com as tecnologias no cotidiano e fornecem retorno real.

Os testes incluem veículos autônomos como o e-Palette e o Guide Mobi, robôs de logística subterrâneos, o sistema de IA Vision Engine que monitora a cidade em tempo real, hidrogênio portátil, energia proveniente de baterias de carros, ambientes com ar sem pólen e comunicações remotas, entre outros.

Ao mesmo tempo, empresas parceiras (“Inventors”) trabalham em co-criação, multiplicando ideias segundo o conceito japonês de kakezan. Para fabricantes de automóveis, a iniciativa representa ainda uma transição de negócio: deixar de ser apenas produtores de carros para se tornarem empresas de mobilidade completa, abrangendo pessoas, bens, energia e informação.

A construção da Fase 2 começou em setembro de 2026 e deve adicionar capacidade para cerca de 600 moradores até o final de 2028, com visão de longo prazo de atingir cerca de 2.000 residentes. A partir de 1º de outubro de 2026, o local abre visitas ao público japonês. A Woven City é considerada um “curso de testes vivo” voltado à mobilidade centrada no ser humano e à meta de zero acidentes.

O que é possível agora ao Líder Mentor?

Estimular e usar a capacidade humana de imaginar possibilidades que ainda não possuem evidências suficientes para serem consideradas óbvias, mantendo a mente de principiante na jornada.

A tecnologia oferece meios, velocidade e escala, mas é a imaginação que define o que deve ser criado, quais problemas merecem ser resolvidos e que futuros são desejáveis.

O Líder Mentor não precisa necessariamente saber como será 2126. Ele precisa criar condições para que sua organização consiga aprender enquanto descobre como chegar lá.

Melhorar o existente ou superar o impossível do momento?

Esta é a pergunta que todo Líder Mentor precisa provocar nas organizações. O futuro não será construído apenas por quem domina a tecnologia, mas por quem tiver coragem de imaginar o que ainda não existe — e disposição para aprender enquanto constrói.

E você: está preparando sua organização para o futuro ou apenas tornando o presente mais eficiente?

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