O livro “O que é estratégia?” de Silvio Meira é um tratado moderno sobre vários temas, dentre eles estratégia e liderança. Além disso, nos faz navegar no mar aberto da incerteza, característico do mundo atual. Indico a todos que desejam aprofundar o tema, fundamental ao atual momento.
Há duas afirmações importantes logo no início do livro: estratégia é o processo de transformação de aspirações em capacidades. E, também: lideranças estratégicas devem priorizar a antecipação de futuros, enquanto resolvem passados e orquestram o presente.
Transformar aspirações em capacidades
O ciclo entre a ideia e a execução está cada vez mais curto. Com o uso da Inteligência artificial, há caminhos sendo facilitados, técnicas sendo aprimoradas e soluções cada vez mais impactantes. A abundância de ferramentas é impressionante.
Para que uma aspiração tenha impacto, é preciso ampliar nossa capacidade de sonhar com futuros impensáveis. Há 30 anos atrás, 1995, não tínhamos quase nenhuma tecnologia como há hoje.
Eu tenho a convicção de que seria chamado de louco aquele que dissesse que o mundo seria como é hoje, em 2025. Nada disso: realidade virtual/aumentada? Nunca! Streaming massivo? De forma alguma! Smartphones? Credo! Medicina personalizada? Está olhando muito filme de ficção científica.
Estamos em plena escassez de sonhos em um mundo de extremas possibilidades. Chega a ser paradoxal. Pergunte às pessoas: Qual o seu maior sonho?
Se for algo já existente, vamos parar por aí. O impacto já ocorreu. Em um mundo de inovações, o que esperar de um mundo que, na sua maioria, sonha em ter o que já existe.
Antecipar futuros, resolver passados e orquestrar o presente
Ou somos seguidores ou pioneiros. O meio termo é muito perigoso. Ser seguidor, é esperar para ver. Ser pioneiro, é antecipar futuros. E tem um custo cada vez menor. Explico.
Com as ferramentas de prototipação e as alternativas de produção global, tudo pode ser produzido. Não podemos viver em 2025 com uma mente de 1995. Já estamos na indústria 5.0, principalmente na China.
O investimento em educação, a condição para que a pesquisa seja desenvolvida, está muito além do que entendemos no mundo latino. Peter Drucker afirmava: “não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo”. E quem faz isso primeiro, antecipa o funcionamento do mundo.
Investir em educação é auxiliar na construção de futuros consistentes. Para Drucker, a inovação era uma disciplina que podia ser aprendida e praticada, e não apenas um lampejo de gênio.
E qual a relação da liderança de impacto com tudo isso?
Voltamos a afirmação de Silvio Meira: lideranças estratégicas devem priorizar a antecipação de futuros, enquanto resolvem passados e orquestram o presente.
Há três grandes blocos de ação aqui. Os dois últimos, resolver o passado e orquestrar o presente, são o foco da atenção em mais de 90% do tempo da gestão. São empresas maravilhosas para resolver problemas e fazer a estrutura interna funcionar.
São rápidas, focadas na ação e tem relevância, principalmente, porque a concorrência é extremamente medíocre. E se todos fossem extremamente competentes?
Certamente a sua relevância seria comum a todos. E o que sobra?
A capacidade de captar, criar e entregar valor. Captar valor é cada vez mais fácil com a quantidade de informações e dados. Entregar valor tem sua facilitação com as ferramentas atuais. A diferença está no criar.
O criar gera transformação e por isso impacto. Um impacto sustentado por líderes que estão além das ordens: estão no campo da proatividade, da inciativa e da inovação.
É preciso ter clareza no papel que cabe aos líderes atuais. Mas não basta. Para ter um time, atualmente, é preciso muito engajamento, propósito e ação sustentável. O mundo e os clientes agradecem.
Estamos em plena era de coopetição: uma mescla entre competição e colaboração. E para facilitar, seis gerações no mercado de trabalho.
Cabe às lideranças orquestrarem a diversidade geracional e a coopetição, aproveitando esta multiplicidade de perfis para maximizar a capacidade de sonhar e criar algo realmente original, singular, encantador. Em resumo: inovador. Tem coragem para isso?
Sem coragem, não há liderança que se sustente. Não há pessoas para inspirar. Não há impacto a entregar. E você, o que pensa sobre esta provocação?
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br
