“Eu não votarei em outubro.”
A frase acima vem sendo cada vez mais repetida por familiares, amigos e conhecidos.
Pessoas com quem convivo de diferentes faixas etárias e classes sociais estão com essa mesma intenção: não votar em outubro deste ano.
Nas eleições de 2022, mais de 32 milhões de brasileiros aptos a votar não foram no primeiro turno para as seções eleitorais – quase 21% do eleitorado nacional não quis exercer o direito de voto. A cada cinco eleitores, um não foi votar.
No Rio Grande do Sul, o cenário foi parecido. A abstenção foi superior a 19% no eleitorado gaúcho.
Como jornalista, gosto de entender os motivos desse posicionamento dos eleitores que afirmam que não vão votar em outubro. Entre os principais argumentos mencionados estão:
- Cansados das mesmas promessas não cumpridas há décadas;
- Farra de gastos públicos (Fundo Eleitoral, por exemplo), unindo políticos de praticamente todos os partidos e ideologias;
- Repetição de nomes e, quando há renovação de nomes, as práticas seguem as mesmas;
- Clima de violência e hostilidade, principalmente nas redes sociais;
- Partidos aceitando candidatos com vinculação a casos de corrupção e crimes;
- Mistura da política com religião e crime organizado.
Os argumentos destes eleitores são convincentes, reais, honestos, verdadeiros e fica muito difícil contra-argumentar.
O que recomendo é que as pessoas compareçam para votar. Mesmo que seja para votar em Branco, afinal, essa opção é legítima – tanto que existe uma tecla para isso na urna eletrônica. Essa manifestação é válida e é uma forma de protestar e externar descontentamento. Ou, se preferir, pode anular.
Agora, deixar de votar é complicado, pois essa foi uma conquista do povo brasileiro. Vale lembrar que nas ditaduras, por exemplo, o povo não vota e precisa aceitar quem os chefões ou poderosos indicam. Não adianta protestar: é aceitar calado quem a ditadura indicar.
Para finalizar, vou sublinhar: entendo o cansaço e o desencanto do eleitor. Respeito todos esses posicionamentos. Como jornalista, sofro com perseguições, censuras e intimidações de políticos.
Entendo perfeitamente a revolta do eleitor com tantos políticos que estão aí roubando, desviando, enriquecendo e empregando parentes e aliados, enquanto falta o básico em hospitais, escolas, estradas e ruas.
