Diariamente faço meditação quando acordo. São 30 minutos de imersão total em meu universo interior. Uma vez por semana avalio os acontecimentos. Minha mente se prepara, a intuição se amplia e a criatividade está em grau máximo.
É importante contextualizar o movimento cerebral envolvido nesta situação. Como o processo de meditação já está automatizado em minha vida, comecei com 16 anos, minha consciência fica livre para “pescar” insights de meu inconsciente. Esse movimento acontece quando dormimos.
Nossa consciência sai da posição de protagonista e permite que durante o sonho várias conexões cerebrais sejam realizadas: é o processo diário de consolidação acontecendo. Este artigo quer trazer à consciência diária este fenômeno.
Quando dormimos, o cérebro, a cada ciclo de 1h30min, organiza as informações do dia, retira o que não é importante a nossa sobrevivência e leva à memória de longa duração o que realmente é essencial para nossa vida.
A partir desta primeira fase, este ciclo de 1h e meia é concluído com o sonho. É nele que as mais improváveis conexões acontecem, criando redes neurais diferentes, combinando o impensável. O livro ‘Por que nós dormimos: a nova ciência do sono e do sonho’ explica este processo com maestria.
Ele é tão fundamental, se tornando a última fase do aprendizado diário. No livro ‘É assim que aprendemos: por que o cérebro funciona melhor do que qualquer máquina (ainda)’ do neurocientista Stanislas Dehaene, este processo é explicado em detalhes.
A armadilha da terceirização cognitiva
Quando temos a prática da meditação e a capacidade de cessar os julgamentos de nosso consciente, conseguimos acessar estas conexões que nosso maravilhoso cérebro faz. O desafio é o início de tudo. Vou explicar!
Nosso cérebro é ativado positivamente quando é estimulado por uma saída criativa. De forma automática, ele começa a selecionar as informações relacionadas a sua solução. Ele consolida esta solução em um insight, lampejo de um conjunto de informações relacionadas.
Por isso, quanto mais você se desafia e estimula uma solução a si, o cérebro lhe auxilia. Num belo dia, Eureka (insight): olha aí a criatividade se expressando como mecanismo que é.
A grande questão é que na maioria das vezes não acessamos nossas próprias consolidações no mar de informações do mundo atual. Automatizamos uma rotina de expectadores da existência.
Consumimos informações sem critério, evitamos a reflexão e a análise, terceirizamos nossa capacidade de pensar, analisar, interpretar e discernir para uma IA. Ou seja:
Pensamos pouco e agimos muito, diminuindo nossa capacidade cognitiva.
A meditação profunda auxilia no resgate destas informações. Sugiro o livro ‘Por que meditamos: a ciência prática da clareza e da compaixão’ de Daniel Goleman, criador do conceito da inteligência emocional e Tsoknyi Rinpoche, monge budista. Nele há várias técnicas fáceis e úteis no seu processo de autoconhecimento e iluminação.
O resgate da imaginação
Seu cérebro e sua mente são responsabilidade sua. Aprimorar sua capacidade de utilizá-los de forma ampla, ao máximo e com lucidez, é uma tarefa diária. Facilmente transferimos nossas capacidades cognitivas as máquinas, uma péssima escolha.
Ao mesmo tempo, vários países estão proibindo as redes sociais a menores de 16 anos, as escolas no Brasil não permitem o celular em sala de aula e o ensino analógico nas escolas, com tecnologia necessária ao ensino, tem sido o foco, ativando novamente uma das mais importantes funções de nosso ecossistema de vida: a imaginação, a criatividade e a capacidade de pensar.
Aproveite a melhor máquina que foi inventada até hoje: nosso corpo. Nosso cérebro e mente como extensão dele, não garantem a nossa superioridade de nada, pois dependem de seu uso.
Está na hora de acessar o que está a uma meditação de distância: seu consciente e inconsciente em grau máximo. Há tecnologia digitais de sobra no mundo para executar qualquer coisa. Mas ideias e ideais são fundamentais.
Não desperdice a melhor tecnologia: sua humanidade, intuição, imaginação e criatividade. Use-as para promover a prosperidade onde estiver!
A IA pode processar dados em milissegundos, mas ela ainda não consegue fazer o que você faz durante o sono — ou em 30 minutos de meditação profunda.
Orquestre para que os sistemas, Inteligências Artificiais e demais recursos ao nosso dispor, executem as ideias em benefício do ser humano. Só depende de nós!
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Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br


























