Certo dia, uma jovem que
vinha se sentido doente há algum tempo visitou o seu medico e recebeu um
diagnostico devastador. O doutor lhe deu
a notícia que havia contraído uma doença extremamente rara e letal, e que,
infelizmente, só lhe restara seis meses de vida.
Compreensivamente
arrasada, a jovem agendou uma consulta em um segundo profissional, o melhor
especialista da região, esperando que seu veredito fosse diferente. Após
completar o exame, o médico a olhou fixamente nos olhos e falou: “Meu conselho
é que você se mude para o Acre e case com um economista”. Intrigada com o
comentário inesperado, a jovem retrucou: “Isso irá me curar, doutor?” O
especialista hesitou por um momento, e respondeu: “Não, você ainda tem apenas
seis meses de vida. Mas, no Acre, e casada com um economista, esses seis meses
vão durar uma eternidade”.
Piadas à parte, a economia
realmente parece um maçante emaranhado de profecias e teorias que propagam mais
bocejos do que o interesse. Afinal, como gostar e confiar nestas previsões que
até mesmo nossos líderes, teoricamente preparados, acabam gaguejando de
insegurança ao discursar?
Mas é aí que mora a
beleza da economia. Da mesma forma que o erro de um árbitro de futebol traz a
subjetividade ao esporte e estimula emoções em torcedores, a relatividade das
teorias econômicas é o que faz dela tão interessante. Como atuo em uma área
fortemente influenciada pela economia, inúmeras vezes enfrento a pergunta:
“Daudt, por que este número que tu passou hoje mudou? O número que tu me passou
na semana passada estava diferente!” Minha resposta sempre será: “Porque a
pergunta foi feita uma vez hoje, e outra vez na semana passada”. É um alvo em
movimento, em constante mudança devido às circunstâncias.
A piada compartilhada
no início desta coluna foi recitada durante uma aula do Dr. Stonebraker, um
excelente economista Phd de Princeton que tive a oportunidade de ter como
professor durante minha formação no Tio Sam (com uma única adaptação trocando o
estado de Kansas pelo Acre). De forma irreverente, ele tinha a capacidade de
utilizar as atualidades e conectá-las às teorias e tecnicalidades das finanças
e economia. É desta mesma forma que pretendo manter esta minha coluna semanal –
de uma forma não maçante, sempre conectando as últimas notícias do Brasil e do
mundo e as teorias que as embasam.
Quanto a mim, acredito
ser tão versátil quanto à área que pretendo abordar. Sou formado academicamente
nos Estados Unidos em Administração de Empresas. No mercado de trabalho, já
atuei com responsabilidade global, enfrentando as particularidades de cada uma
das culturas que visitei. Hoje sou gerente da controladoria de uma
multinacional americana do setor do Petróleo e Gás, responsável por todas as
unidades fabris no Brasil. Entretanto, tire esta imagem engravatada que
provavelmente a introdução acima construiu. Já fui esportista durante muito
tempo da minha vida, com as meias suja de saibro e boné virado para trás. Já
fiz mochilões no Peru, atravessei 850 km da Europa de bicicleta com apenas duas
mudas de roupa, e conheci os países mais inusitados em minhas viagens
“tenísticas”. Sou pai, profissional, aventureiro… Enfim, uma pessoa em
constante mudança, assim como a Economia.