Propina pode ter facilitado compra de gigante do setor calçadista brasileiro pela JBS

Em novembro de 2015, a construtora Camargo Corrêa vendeu
o controle da Alpargatas, dona de marcas calçadistas no Brasil como Havaianas,
Osklen, Mizuno, Topper e Dupé, para a J&F Investimentos, dona da JBS – dos irmãos
Joesley e Wesley Batista. Foi negócio envolvendo um gigante do setor calçadista brasileiro. O valor total da operação foi de R$ 2,66 bilhões, sendo R$
12,85 o valor atribuído por ação. A forma de pagamento do preço foi à vista, em
moeda corrente nacional, na data do fechamento. A Caixa financiou 100% da
operação, com carência de dois anos.

Para efetuar esse negócio, a Caixa – no governo da ex-presidente
Dilma Rousseff (PT) – liberou empréstimo de R$ 2,7 bilhões para Joesley Batista
fechar o negócio. Em setembro de 2016, o Tribunal de Contas da União (TCU)
abriu procedimento para analisar para analisar esse empréstimo. O pedido foi
feito pelo Ministério Público ao TCU.

Agora, mais um ingrediente surge envolvendo esta operação
bilionária. Segundo o delator Lúcio Funaro – ligado ao ex-presidente da Câmara
dos Deputados, Eduardo Cunha –, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), que
foi preso nesta semana, teria colaborado e sido decisivo para liberar or R$ 2,7
bilhões. Na delação de Funaro, Geddel receberia R$ 80 milhões a título de
propina para intermediar o negócio na Caixa, já que o ex-ministro do PMDB ocupou
a Vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa de 2011 a 2013, no governo
Dilma.

As acusações envolvendo Geddel e a compra da Alpargatas foram
feitas pelo corretor financeiro Lúcio Funaro em depoimento à Polícia Federal no
dia 14 de junho deste ano. Funaro está preso por conta da Operação Lava Jato e é
apontado como um dos principais operadores financeiros nos esquemas de corrupção de
Cunha (PMDB), também preso na Lava-Jato.

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