As últimas semanas não têm sido de tão boas notícias para a indústria calçadista brasileira. Em especial, o Rio Grande do Sul e o Vale do Sapateiro.
Na semana passada, a Bottero, de Parobé, reduziu mais de 600 postos de trabalho para se manter competitiva. A empresa segue produzindo suas coleções com 2.400 colaboradores, conforme informado na reportagem do Portal Martin Behrend: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…
Nesta semana, mais duas notícias preocupantes, que mostram problemas na competitividade para o calçado brasileiro no mercado interno e, principalmente, no exterior. Reflexos diretor da crise brasileira, da infraestrutura defasada e da greve dos caminhoneiros.
Dados elaborados pela
Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam
que no primeiro semestre de 2018 as exportações caíram 6,7% em volume (de 59,36
milhões para 55,37 milhões de pares) e 7,9% em receita (de US$ 528,7
milhões para US$ 486,9 milhões) no comparativo com igual período de
2017. Segregando o mês seis, foram embarcados 8,6 milhões de pares por
US$ 86,6 milhões, quedas de 15,5% e de 0,9%, respectivamente, em relação
a junho do ano passado.
Para o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, o fato não surpreende, já que está sendo verificado um arrefecimento das exportações desde abril. “A crise econômica brasileira e seu viés político afetou diretamente o setor, por conta das oscilações abruptas no câmbio e também fatores políticos, como a paralisação registrada em maio e que causou desabastecimento de insumos na indústria”, comenta, ressaltando que, no início do ano, a perspectiva era muito mais positiva. “As incertezas brasileiras não permitem qualquer prognóstico, muito menos positivo”, lamenta.
Origens
Nos seis primeiros meses do ano o Rio Grande do Sul foi o principal
exportador de calçados. Respondendo por quase 45% do valor gerado pelos
embarques brasileiros, os calçadistas gaúchos embarcaram 13,4 milhões de
pares por US$ 217,9 milhões, quedas de 0,4% em volume e de 2% em
divisas no comparativo com período correspondente de 2017. A segunda
origem do calçado exportado foi o Ceará, que no primeiro semestre
embarcou 22 milhões de pares por US$ 124,7 milhões, quedas de 1,4% e de
3,4%, respectivamente. O terceiro exportador do período foi São Paulo,
que comercializou 3,5 milhões de pares por US$ 53,8 milhões, quedas de 16% e de 12% na relação com os seis meses do ano passado.
VALE DO PARANHANA
A terceira notícia nada positiva envolve uma tradicional indústria do Vale do Paranhana. A Crysalis, de Três Coroas, teve sua falência decretada nesta segunda-feira (9). A empresa tem cerca de 400 colaboradores. A decisão foi da Justiça após solicitação do Ministério Público pelo não cumprimento do plano de recuperação judicial – que teve pedido solicitado pela indústria em 2016.
Segundo informações apuradas pelo Portal Martin Behrend, a empresa busca recorrer da decisão e seguir produzindo – haveria condições e fôlego para essa situação. A falência foi decretada para que bens sejam leiloados a fim de realizar pagamentos a credores. A crise política e a retração econômica seguem causando desemprego. E muita preocupação.
