As exportações de couros brasileiros poderão ser afetadas em razão das queimadas na Amazônia? Os clientes estrangeiros poderão reduzir negócios devido ao momento registrado na Floresta Amazônica?
Neste universo de incêndios com discussões em diversos países, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) também está tendo de atuar como bombeiro e apagar uma fumaceira que foi criada a partir de um ofício enviado ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
Na terça-feira (27), o CICB – que tem como presidente o gaúcho José Fernando Bello – alertou o governo federal sobre a suspensão de importações por fabricantes de acessórios em couro em razão das notícias relacionadas à Amazônia. No comunicado, a instituição dizia que o anúncio da suspensão das importações era uma “informação devastadora” para o Brasil, uma “nação que exporta mais de 80% de sua produção de couros, chegando a gerar US$ 2 bilhões em vendas” ao ano.
Marcas como Timberland, Dickies, Kipling, Vans, Kodiak, Terra, Walls, Workrite, Eagle Creek, Eastpack, JanSport, The North Face, Napapijri, Bulwark, Altra, Icebreaker, Smartwoll e Horace Small. poderiam deixar de efetuar compras de fornecedores brasileiros.
REVERSÃO
Nesta quarta-feira, contudo, o assunto teve uma reversão. Em comunicado à imprensa, a associação diz que “fornecimento e exportações continuam normais, sendo o Brasil um dos maiores produtores mundiais de couro”. A normalidade do fornecimento, diz a nota, divulgada diante da repercussão do caso, se deve a um “trabalho de sensibilização intenso que as empresas têm feito junto a seus clientes”. “Estamos recebendo mais telefonemas de clientes para pedir as mesmas informações sobre a origem do couro brasileiro que o setor já está acostumado a passar”, destaca Bello.
O presidente do CICB afirmou ao Broadcast Agro que se tratou de um “erro de pré-avaliação” da entidade. “A carta foi divulgada (pelo próprio CICB) antes da checagem com a empresa importadora”, disse Bello. “Esse importador estaria supostamente suspendendo as compras. Foi um equívoco nosso. Vamos corrigir a informação junto ao governo federal.”
O dirigente gaúcho assegurou que não há intenção de os importadores boicotarem ou restringirem compras do couro nacional. Segundo José Fernando Bello, em contato com o CICB, o importador explicou que vai continuar com os pedidos em andamento, mas que gostaria de “esclarecimento adicionais” sobre a origem e rastreabilidade do produto.
“Recebemos este relato de uma indústria brasileira e, quando esclarecemos o fato com o cliente internacional, obtivemos a informação de que não haverá cancelamentos”, acrescentou o presidente do CICB.
