Levantamento aponta: indústria calçadista brasileira é a mais sustentável do mundo

Dados foram elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados)

Entre os países produtores de calçados, o Brasil é o que tem os melhores indicadores de sustentabilidade, em especial quando comparado com os asiáticos. Divulgação

A indústria calçadista brasileira, a maior do Ocidente (produção de 847 milhões de pares em 2025), vem avançando também nas práticas alinhadas aos conceitos de ESG (Environmental, Social, and Governance).

Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), e que constam no Relatório Indústria de Calçados – Brasil 2026, corroboram o avanço.

O gerente de Marketing e Estratégia da Abicalçados, Cristian Schlindwein, destaca que a indústria calçadista brasileira é a mais “sustentável do mundo”. Segundo ele, entre os países produtores de calçados, o Brasil é o que tem os melhores indicadores de sustentabilidade, em especial quando comparado com os asiáticos.

Os países asiáticos produtores de calçados possuem baixo nível de ratificação de padrões internacionais de trabalho estabelecidos nas Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), diferente do brasileiro. Os três principais exportadores mundiais – China, Vietnã e Indonésia – ratificaram, em média, 25 convenções da OIT – tratados internacionais que definem padrões e pisos mínimos a serem observados e cumpridos por todos os países que os ratificam – ao passo em que o Brasil ratificou 98 convenções.

Já na agenda ambiental, o Brasil também apresenta vantagens comparativas relevantes. Para fins de exemplificação, a emissão de CO2 no Brasil é de 2,3 toneladas per capita, ao ano, menos da metade da média mundial, ao passo que na China, a emissão de CO2 é de 9,3 toneladas per capita. No Vietnã, a emissão é de 4,3 toneladas per capita. Na geração de energia elétrica, 77% da produção brasileira é gerada em fontes renováveis, já na China, a participação de fontes renováveis na geração de eletricidade é de apenas 28% (World Bank).

ORIGEM SUSTENTÁVEL

O gerente explica que os avanços do setor não são recentes e cita o papel do Origem Sustentável, único programa de certificação de práticas ESG voltado exclusivamente para empresas da cadeia produtiva do calçado no mundo, criado em 2013. “O Origem Sustentável, mais do que certificar empresas, funciona como um guia para o avanço das práticas dentro delas”, explica Schlindwein. Atualmente, 45% da produção nacional de calçados já é certificada pelo Programa, número que vem avançando.

DESCARTES

O estudo da Abicalçados cita, por exemplo, que 93% das empresas participantes descartam resíduos sólidos industriais em aterros sanitários, adotando outras destinações finais ambientalmente adequadas, como reutilização, reciclagem, coprocessamento e/ou outras tecnologias. “A participação de empresas que realizam a destinação ambientalmente adequada dos resíduos é a maior entre os indicadores da dimensão ambiental, possivelmente por se tratar de uma das primeiras iniciativas a ser trabalhada no âmbito das práticas sustentáveis”, comenta Schlindwein, ressaltando que, nos últimos cinco anos, o percentual de empresas que realizam a destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos industriais aumentou seis pontos percentuais.

Ainda no pilar ambiental, conforme o Relatório, no ano passado 82% das empresas consumiram energia elétrica 100% oriunda de fontes renováveis (Ambiente de Contratação Livre ou autogeração). A participação de empresas que utilizam energia de fontes renováveis foi o indicador que mais avançou desde o início dos levantamentos (2021): 35 pontos percentuais.

FORNECEDORES COMPROMETIDOS

No âmbito da cadeia produtiva, 74% das empresas calçadistas declararam que realizam verificação periódica de seus fornecedores quanto à conformidade legal, ambiental e social, 3% mais do que em 2024 e 17% mais do que em 2021. Complementarmente, 70% das empresas executam programas de controle das substâncias restritas presentes em produtos, exigindo de seus fornecedores a realização de testes nas matérias-primas e insumos para atender aos limites de substâncias definidos em protocolos como REACH, legislação obrigatória para entrada de produtos na Europa.

SOCIAL

No pilar social, 75% das empresas possuíam, em 2025, práticas visando promover a diversidade e inclusão em suas equipes. A participação foi crescente em sete pontos percentuais em relação a 2024. Entre as práticas mais realizadas, estão o recrutamento inclusivo (67%); treinamentos regulares de sensibilização sobre diversidade, equidade e inclusão para funcionários em todos os níveis da organização (49%); e comunicação transparente (49%).

GOVERNANÇA

Já no pilar de governança, a pesquisa identificou que, em 2025, 82% das empresas possuíam práticas de melhoria da governança, a maior participação registrada nos últimos três anos. Entre as práticas mais realizadas pelas empresas, destacam-se as auditorias internas e externas (75%); o estabelecimento de código de conduta e ética (72%); e a transparência e comunicação por meio de relatórios regulares sobre o desempenho financeiro, metas, riscos e práticas de sustentabilidade da empresa (50%).

O Relatório Indústria de Calçados – Brasil 2026 completo pode ser acessado gratuitamente. Além dos dados de ESG no setor, a publicação traz dados gerais da indústria calçadista brasileira e projeções para curto e médio prazos.

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