O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) teve mais uma performance desastrada diante de um grande público. Desta vez, foi em Teresina durante homenagem recebida na Assembleia Legislativa do Piauí. Saindo em defesa da presidente Dilma Rousseff (PT), ele elogiou as medidas propostas pelo governo federal. Só que, na sua argumentação, Lula sugeriu que os brasileiros deixem de consumir calçados, o que significa, na prática, prejuízos para indústria e comércio do setor calçadista. "Nós também estamos sofrendo, e a presidente tomou atitude para tentar melhorar. Isso a gente faz na casa da gente. Se você gastou um pouco demais, perdeu a conta, você tem que brecar, é tirar o sapato novo do filho, é não dar o tênis, é não deixar ir a pizzaria, é cortar o sorvete. Ou gente faz isso ou a gente quebra de vez", afirmou. Sendo bem irônico: quem sabe a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) ergue um busto para Lula por tão valiosa ajuda?
A irresponsabilidade de Lula não tem limites. Há seis ou sete anos, ele orientava milhões de brasileiros a ir às compras. A população foi com entusiasmo em busca de crédito e saiu a comprar e, claro, contrair dívidas. Só que os governos de Lula e Dilma ficaram falando, falando, falando e esqueceram de fazer a lição de casa. Não vieram reformar, faltou planejamento, acabou o dinheiro. Logo, a conta do descontrole, das mentiras, das pedaladas e dos discursos fantasiosos apareceu. Nos últimos 12 meses, mais de 1,2 milhão de postos de trabalho formais foram fechados. E essa conta só vai aumentar.
Essa infeliz declaração do ex-presidente vem se somar ao mais recente revés que atingirá o setor calçadista – em especial para quem trabalha na exportação. Apublicação do decreto 8.543 no Diário Oficial da União de 22 de outubro antecipa a redução da alíquota do Reintegra para dezembro de 2015 e não janeiro de 2016 como havia sido anunciado em setembro.
Conforme o decreto, a alíquota da restituição para o exportador passará de 1% para 0,1% a partir de 1º de dezembro de 2015, percentual que seguirá até dezembro de 2016. Já para os anos de 2017 e 2018 os números seguem os mesmos anunciados, de 2% e 3%, respectivamente. Criada em 2011, a ferramenta do Reintegra foi fundamental para manter a competitividade das exportações brasileiras de manufaturados através da restituição de 3% – na época – do valor total exportado como forma de reintegrar valores referentes a custos tributários residuais existentes nas cadeias de produção.
Para a indústria calçadista brasileira, que exporta cerca de 15% de sua produção – de quase 900 milhões de pares – para 150 países, a medida terá impactos relevantes. “Em meio a um quadro de quedas na produção e nível de emprego ainda teremos que conviver com o corte de incentivos que são fundamentais para manter a atividade”, lamenta o presidente-executivo Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein.
Segundo o executivo, o setor industrial, que poderia tirar a economia brasileira da recessão,
é o mais afetado com os ajustes. “Não é somente o setor industrial que está pagando a conta por desmandos históricos nas contas públicas, é a sociedade brasileira, pois o aumento da carga tributária para uma indústria já combalida certamente terá efeitos na geração de postos de trabalho”, acrescenta. Klein ressalta que a imprevisibilidade da alíquota já causou e segue causando prejuízos nas negociações para o exterior. “Esta última decisão, por exemplo, será prejudicial pelo fato de que os produtos que serão embarcados em dezembro foram negociados em julho e agosto, com uma previsão de alíquota de 1% e não 0,1%”, explica.
