Gigante do e-commerce norte-americano sinaliza investir cerca de R$ 1,5 milhão em calçados brasileiros

Com uma expectativa de negociar US$ 400 mil nos próximos meses com calçadistas brasileiras, um dos maiores grupos de e-commerce
dos Estados Unidos, o Revolve.com, participou, entre os dias 20 e 22 de
agosto, do Projeto Comprador Vip. No câmbio atual, esse valor superaria R$ 1,6 milhão em pedidos.

Cumprindo agenda de visitas a
fábricas e showrooms nas regiões do Vale do Sinos e Vale do
Paranhana, no Rio Grande do Sul, o consultor de produtos, Kevin Patera,
contratado pela empresa para buscar novos fornecedores no Brasil, veio
em busca de calçados femininos para compor o mix da marca Raye,
pertencente ao grupo de e-commerce.

A iniciativa foi uma promoção do
Brazilian Footwear, programa de apoio às exportações de calçados mantido
pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) em
parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e
Investimentos (Apex-Brasil).

A analista de Promoção Comercial da Abicalçados, Ruisa Scheffel, que
acompanhou o consultor, explica que a marca Raye trabalha, basicamente,
com calçados asiáticos, e viu no Brasil uma oportunidade de, além de
melhorar a qualidade dos produtos, obter ganhos com a logística, já que o
produto brasileiro tem mais flexibilidade nos volumes e entrega muito
mais rápida do que o importado da Ásia. “A valorização do dólar também
ajudou, já que os preços ficaram mais competitivos”, avalia.

A
expectativa colocada por Kevin é de que essas reuniões se transformem em
negociações em breve. “Ele aponta a importação de US$ 400 mil já nos
próximos meses, com grandes possibilidades de recompra de volumes ainda
maiores no futuro”, conta a analista, ressaltando que, como o grupo
possui mais marcas, além da Raye, o projeto pode ser uma porta de
entrada para mais empresas verde-amarelas no gigante do e-commerce estadunidense.

ESTADOS UNIDOS

Considerado o segundo maior mercado para calçados do mundo, com mais de dois bilhões de pares consumidos anualmente – é o maior em valor gerado, com
mais de US$ 80 bilhões por ano – os Estados Unidos vêm diminuindo as
importações de calçados da China nos últimos anos. Conforme o relatório
World Footwear, nos últimos cinco anos a queda nas importações de
calçados chineses pelos Estados Unidos chegou a 12%.

Segundo Ruisa, a
tendência de queda de ser acentuada em função da guerra comercial
travada pelo país contra o Tigre Asiático “Abre uma oportunidade
importante para o calçado brasileiro”, conclui a analista.

Entre janeiro e julho de 2018, os norte-americanos importaram 5,3 milhões de calçados brasileiros, pelos quais foram pagos US$ 85,5
milhões, quedas de 13,5% em volume e de 23,4% em receita no comparativo
com igual período do ano passado. Por outro lado, o preço médio do
produto é US$ 16, muito acima da média geral, US$ 9.

Participaram da iniciativa as marcas Carrano, Viviar, Cristófoli, Luz da
Lua, Werner, Tabita, Vicenza, Guilhermina, Dumond, Capodarte, Jorge
Bischoff, Smidt Shoes e Stephanie Classic.

Sair da versão mobile