Oficialmente, são cerca de 13 milhões de desempregados. Na prática, podem ser mais de 20 milhões. E essa conta pode aumentar.
A decisão do governo do presidente Michel Temer (PMDB) em acabar com o programa de desoneração
em 50 setores para cobrir o rombo de R$ 58,2 bilhões não foi bem recebida pelo
setor produtivo brasileiro. Em nota, a Federasul (Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul) define a resolução como
aumento da carga tributária e diz que “ao invés de cortar gastos, como deveria,
o Governo busca na sociedade os recursos para tapar o equivalente a R$ 42,1
bilhões do rombo” e diz temer a manutenção de empregos.
Assinada pela presidente Simone Leite a nota esclarece que
os brasileiros, mais uma vez, são chamados para bancar a conta sem qualquer
possibilidade de contrapartida ou retorno em qualidade de serviços. “As
empresas, os empresários e a sociedade não suportam mais pagar tantos impostos
para manter a festança dos poderes da República. O mais preocupante de tudo,
diz a nota, é que “a decisão da equipe econômica vai comprometer a retomada da
economia que, timidamente, iniciava seu processo de recuperação, com os
primeiros e pequenos passos”.
O texto da Federasul lembra ainda que o governo deveria
aprender que deve cortar na carne como faz o contribuinte em sua empresa ou em
casa. “Adotar uma gestão responsável para encolher os gastos públicos vai
deixar a renda nas mãos da sociedade, gerando mais empregos, produtos e até
maior arrecadação”, diz Simone Leite.
ABICALÇADOS
Assim como a Federasul manifestou preocupação, a Associação
Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) aponta que o fim da
desoneração da folha terá consequências importantes na queda dos níveis de
emprego do setor calçadista. Atualmente empregando quase 300 mil pessoas, o
segmento registrou um incremento de postos gerados em janeiro. “Somente em
janeiro, embalados pela possibilidade de recuperação da demanda interna e pela
confiança do empresariado, tivemos um saldo positivo de oito mil postos
gerados”, comenta Klein.
Segundo Klein, a medida deve encarecer o calçado para o consumidor em
percentuais de 5% a 11%. “Para a indústria com atividade exportadora, o impacto
deve ser ainda maior, já ao faturamento com exportações não é, atualmente,
aplicada a taxa de 1,5%”, explica, ressaltando que a demanda, que iniciou uma
recuperação nos primeiros meses do ano, deve volta a cair com a alta dos preços
no varejo.
As entidades representativas de setores atingidos pela proposta estão se
articulando para apresentar ao Ministério da Fazenda os argumentos contrários à
proposta, de forma a garantir a continuidade do sistema, a condição de
competitividade, a geração de negócios e a manutenção dos empregos. “O objetivo
é sensibilizar o governo a respeito dos impactos que a medida pode trazer para
os setores representados”, conclui Klein.
