O ano de 2020 foi de queda global no consumo de calçados em razão da pandemia do novo coronavírus. Isso atingiu em cheio os países produtores.
Foi no final do ano passado que as indústrias voltaram a respirar.
No cenário internacional, com muitos países acelerando a vacinação e a pandemia deixando de ser um pesadelo, os pedidos de clientes estrangeiros voltaram a aparecer com mais frequência para os fabricantes brasileiros.
Conforme
dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados
(Abicalçados), no primeiro semestre deste ano as exportações de calçados somaram US$ 389
milhões, geradas pela comercialização de 57 milhões de pares.
As
altas são de 17,7% em receita e de 32,3% em volume no comparativo com a base
deprimida de 2020 do mesmo período do ano passado, quando o mundo passava pelo
auge da pandemia do novo coronavírus.
Já no comparativo com o período pré-pandêmico,
com o primeiro semestre de 2019, houve quedas de 19% em receita e de 0,3% em
volume.
O valor menor gerado pelas exportações, explica a Abicalçados, se dá em
função do ajuste de preços para o mercado internacional, já que com o dólar
mais valorizado é possível conceder valores mais competitivos.
Desta forma, se percebe que as exportações retomaram o patamar do primeiro semestre de 2019.
JUNHO
Analisando apenas o mês de junho, em 2021 foram embarcados 7,78 milhões de pares, que
geraram US$ 65,47 milhões, altas de 116% em volume e de 84% em receita no
comparativo com a base deprimida de junho passado.
Já no comparativo com junho
de 2019, o avanço é de 19,7% em pares e a queda é de 2,6% na receita
gerada.
O
presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que, embora
exista um indicativo de sensível recuperação dos embarques, possivelmente o
setor encerrará 2021 em níveis abaixo dos registrados na pré-pandemia, em 2019.
“Estamos crescendo sobre uma base historicamente fraca, que nos levou a
patamares de quase quatro décadas atrás”, avalia o executivo, lembrando que no
ano passado as exportações caíram mais de 18%.
DESTINOS
No
primeiro semestre, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foi os
Estados Unidos, para onde foram embarcados 6,36 milhões de pares que geraram
US$ 88 milhões, incrementos de 44,4% em volume e de 30,8% em receita na relação
com o primeiro semestre de 2020.
O segundo destino do semestre foi a Argentina, para onde foram embarcados 5
milhões de pares que geraram US$ 48 milhões, incrementos de 59,3% e de 48,4%,
respectivamente, ante mesmo período do ano passado.
O terceiro destino do semestre foi a França, para onde foram embarcados 3,36
milhões de pares que geraram US$ 28 milhões, altas de 13,7% e 11,7%,
respectivamente, ante igual ínterim de 2020.
RIO GRANDE DO SUL
O principal exportador de calçados do primeiro semestre foi o Rio Grande do
Sul. Das fábricas gaúchas, partiram 14 milhões de pares, pelos quais foram
pagos US$ 166,8 milhões, incrementos de 33,8% em volume e de 14,3% em receita
na relação com o primeiro semestre do ano passado.
