O cenário das exportações calçadistas no ano de 2023 mantém uma rotina: há uma queda na comparação com os resultados de 2022, mas está em alta quando se compara com o período pré-pandemia.
A explicação é que o ano de 2022 foi o melhor nas exportações de calçados em mais de uma década, ou seja, a régua de comparação está num elevado patamar.
Dados
elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados
(Abicalçados) apontam que, entre janeiro e agosto, as exportações do
setor somaram 82,28 milhões de pares, que geraram US$$ 823,15 milhões, quedas de 15,7% em volume e de 6,6% em receita no comparativo com o
mesmo período do ano passado.
Analisando apenas o mês de agosto, as
exportações foram de 9,34 milhões de pares e US$ 95,6 milhões, quedas de
12,8% e de 18,6% em relação ao mesmo mês de 2022.
Se a avaliação for no período pré-pandemia,
entre janeiro e agosto de 2019, o setor ainda registra índices
positivos, de 9,2% em volume e de 26,7% em receita.
O
presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o
desaquecimento da economia internacional, somado às altas taxas de juros
e arrefecimento da demanda em países importantes para o calçado
brasileiro, como os Estados Unidos, tem impacto direto nos índices.
“Esperamos alguma melhora nos últimos meses do ano, mas mesmo assim
devemos fechar 2023 com índices entre 6,7% e 9,1% inferiores aos
registrados em 2022 (em pares)”, projeta o dirigente, ressaltando que,
mesmo com o resultado, os índices ficarão acima dos registrados na
pré-pandemia, em 2019.
DESTINOS
Mesmo
representando pagamentos em função da medida do Banco Central da
República Argentina (BCRA) que alterou as condições de acesso ao Mercado
Único de Câmbio para pagamento de importações, causando atrasos de até
seis meses nos pagamentos, a Argentina segue como o principal destino do
calçado brasileiro no exterior.
Entre janeiro e agosto, foram
embarcados para lá 10,76 milhões por US$ 168 milhões, queda de 8,1% em
volume e incremento de 32% em receita no comparativo com o mesmo período
do ano passado. “A Argentina, apesar da crise econômica interna e das
mudanças no acesso ao mercado de câmbio, que vem prejudicando nossas
exportações para lá, é um mercado cativo para o nosso calçado”, avalia
Ferreira.
Os
Estados Unidos, segundo destino do calçado brasileiro no exterior,
também vem sendo afetado pela queda na demanda e juros históricos, o que
tem impactado as exportações verde-amarelas para lá. Entre janeiro e
agosto, foram embarcados para os Estados Unidos 7,34 milhões de pares
por US$ 161 milhões, quedas de 48,8% em volume e de 34,6% em receita no
comparativo com intervalo correspondente do ano passado.
O
terceiro destino dos oito meses do ano foi a França. Entre janeiro e
agosto, foram embarcados para lá 2,1 milhões de pares por US$ 39,1
milhões, queda de 58,7% em volume e de 10,5% em receita em relação ao
mesmo ínterim de 2022.
RIO GRANDE DO SUL
O
Rio Grande do Sul segue sendo o principal exportador de calçados no
Brasil. Entre janeiro e agosto, as fábricas gaúchas embarcaram 24,63
milhões por US$ 378,7 milhões, quedas de 15,5% em volume e de 8,5% em
receita no comparativo com o mesmo intervalo do ano passado.
O
segundo maior exportador do período foi o Ceará, de onde partiram 24,9
milhões de pares por US$ 184,96 milhões, queda de 12,8% em volume e
incremento de 1,6% em receita na relação com os oito primeiros meses de
2022.
Na
sequência, entre os estados exportadores, apareceram São Paulo (5,33
milhões de pares e US$ 77 milhões, quedas de 24,4% e de 14,6%,
respectivamente) e Bahia (2,87 milhões de pares e US$ 58,9 milhões,
queda de 7,8% em volume e incremento de 27,7% em relação a 2022).
