Dados elaborados pela Associação Brasileira
das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que, no primeiro
bimestre do ano, foram embarcados 26,77 milhões de pares para clientes no exterior.
Estes negócios geraram
US$ 219,78 milhões. Isso representa uma queda de 2,9% em volume e aumento de 5,1% em
receita no comparativo com o mesmo período do ano passado.
Segregando
apenas o mês de fevereiro, as exportações somaram 12,14 milhões de pares
por US$ 101,85 milhões, quedas tanto em volume (-10,6%) quanto em
receita (-5,6%) em relação a fevereiro de 2021.
O presidente-executivo da Abicalçados,
Haroldo Ferreira, avalia que a queda registrada no último mês passa pela
redução dos embarques para os Estados Unidos, principal destino do
calçado brasileiro no exterior, e pela desaceleração da economia
mundial. “Os embarques brasileiros para os Estados Unidos vêm
apresentando retração desde o segundo semestre de 2022, seguindo uma
tendência de redução geral das importações daquele país”, ressalta.
Segundo o executivo, o mercado norte-americano passa por um momento de
retração, elevação da inflação e crescimento de estoques. “No ano
passado, as importações de calçados cresceram mais de 33%, muito mais do
que o varejo norte-americano no período (+1,1%)”, acrescenta.
No ano passado, as exportações brasileiras tiveram o melhor resultado em mais de uma década e, com isso, a base de comparação ficou elevada.
ARGENTINA E ESTADOS UNIDOS
No
mês de fevereiro, pela primeira vez em 27 anos, ou seja, em toda a
série histórica, a Argentina importou mais calçados brasileiros do que
os Estados Unidos.
No mês dois, os hermanos importaram 961,6 mil pares
de calçados por US$ 17,3 milhões, incrementos tanto em volume (+8,2%)
quanto em receita (+51,3%) em relação ao mesmo mês de 2022. No bimestre,
os hermanos importaram 1,7 milhão de pares por US$ 30,12 milhões,
aumentos de 1,8% e 66,4%, respectivamente, ante o mesmo período do ano
passado.
Com quedas
registradas tanto em volume (-62,4%) quanto em receita (-50,7%) em
fevereiro, no comparativo com o mês correspondente de 2022, os Estados
Unidos importaram 879,2 mil pares verde-amarelos, pelos quais foram
pagos US$ 17 milhões. No bimestre, as fábricas brasileiras somam o
embarque de 2,14 milhões de pares para lá, que geraram US$ 40,43
milhões, quedas de 47,7% e 33%, respectivamente, ante mesmo ínterim do
ano passado.
A Espanha é
outra surpresa no ranking do mês de fevereiro, tendo ultrapassado a
França na terceira colocação entre os destinos. No mês passado, os
espanhóis importaram 2,35 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 7
milhões, expressivos incrementos de 492,7% em volume e de 473,6% em
receita na relação com o mês dois do ano passado. No acumulado, os
espanhóis somam a importação de 4,4 milhões de pares verde-amarelos por
US$ 13,9 milhões, incrementos tanto em volume (+259%) quanto em receita
(+237%) em relação ao mesmo período de 2022.
ESTADOS
Entre os Estados brasileiros, no bimestre, o principal exportador de
calçados do Brasil foi o Rio Grande do Sul.
No período, as fábricas
gaúchas embarcaram ao exterior 5,78 milhões de pares, que geraram US$
87,84 milhões, quedas tanto em volume (-16,5%) quanto em receita (-3,6%)
em relação ao mesmo período de 2022.
