Exportações de calçados em queda e governo Temer ainda aumenta carga tributária das indústrias calçadistas

Na sexta-feira da semana passada, a senadora gaúcha Ana
Amélia Lemos (PP) esteve palestrando na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo num
evento promovido pelo setor coureiro-calçadista. E ela deu o recado sobre uma
medida do governo do presidente Michel Temer (PMDB) com a retirada da desoneração
da folha de pagamento para os setores de têxteis, de móveis e calçadista. “São
14 milhões de desempregados no pais. Esse gesto (do governo Temer) não tem
lógica do ponto de vista da geração de empregos”
, frisou.

Ana Amélia lembrou que empresários estão sendo convidados a
levar suas empresas – e naturalmente os empregos – para outros países, com
destaque para o Paraguai. “Esta “reoneração” prejudica a competitividade no
mercado doméstico e também no exterior, em função do aumento dos preços”,
destacou, lembrando que está trabalhando para reverter essa situação. Ela encaminhou
emenda à MP 774 para que seja mantida a desoneração da folha de pagamento.

E Ana Amélia Lemos tem razão. Além da questão cambial, o
aumento de custos tem diminuído a competitividade do produto brasileiro no
exterior. Resultado: recuo nas exportações.
O mês de abril, conforme dados elaborados pela
Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), aponta para uma
queda nos embarques de calçados na ordem de 1,1% em volume e incremento de
14,8% em valores gerados no comparativo com igual mês do ano passado. O
mês quatro fecha com a exportação de 8,33 milhões de pares por US$ 79,26
milhões.

No comparativo com março, a queda é expressiva, de 22,8% em
pares e 17,5% em dólares. No acumulado dos quatro meses do ano, as exportações
chegaram a 39,67 milhões de pares e US$ 338,27 milhões, queda de 1,5% em volume
e aumento de 14,4% em relação ao mesmo período de 2016.

O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, destaca que o movimento de
queda é resultado de vendas com um real valorizado sobre o dólar, o que
encarece o preço do produto nacional. “Quando essas exportações que estão
chegando às estatísticas hoje foram negociadas o dólar estava na faixa de R$
3,15, um valor que torna a nossa competitividade muito difícil
além-fronteiras”, comenta.

Segundo o executivo, para compensar o alto custo de produção no Brasil, o dólar
ideal deveria gravitar entre R$ 3,50 a R$ 3,60. O executivo avalia, ainda, que
dificilmente os exportadores terão algum incremento nos embarques ao longo do
ano.

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