O setor calçadista brasileiro está comemorando a recuperação
gradual das suas exportações.
Após o dramático solavanco de 2020, onde o setor
demitiu cerca de 50 mil trabalhadores das fábricas, o aquecimento das vendas de calçados em
países com redução da pandemia impacta diretamente no aumento de pedidos de
clientes internacionais.
Entre janeiro e maio deste ano, conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), foram embarcados 49,3 milhões de pares, que geraram US$ 323,57 milhões, altas de 24,7% em volume e de 9,8% em receita no comparativo com igual período do ano passado.
Embora a base comparativa seja fraca, já que a partir de março de 2020 os pedidos sumiram, está consolidada a trajetória de crescimento.
Somente em maio, foram embarcados 8,77 milhões de pares, pelos quais
foram pagos US$ 65,2 milhões, expressivos incrementos de 223% em volume e de
172,8% em receita no comparativo com maio de 2020. Além disso, foi a terceira
alta consecutiva, mesmo em relação aos respectivos meses de 2019.
O
presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que os embarques
seguem em recuperação e que o setor deve fechar 2021 com exportações 13%
superiores a 2020. “Nos próximos meses, a base de comparação não será tão fraca
como a dos primeiros cinco meses, por isso cresceremos menos”, destaca o
dirigente.
Segundo ele, diante do avanço da vacinação contra Covid-19 e a
normalização do comércio mundial, a expectativa é de recuperação de parte do
estrago de 2020, quando os embarques caíram 18,6%. “Mesmo com essa
recuperação, não recuperaremos as perdas do ano passado”, acrescenta.
DESTINOS
Nos primeiros cinco meses de 2021, o principal destino do
calçado brasileiro foi os Estados Unidos, para onde foram embarcados 5,38
milhões de pares por US$ 70,1 milhões, altas de 41,2% em volume e de 21,6% em
receita no comparativo com igual ínterim de 2020.
O segundo destino do período foi a Argentina, para onde foram embarcados 4,15
milhões, que geraram US$ 38,48 milhões, incrementos de 44% e 30,6%,
respectivamente, ante mesmo intervalo do ano passado.
O terceiro destino dos cinco primeiros meses do ano foi a França. No período,
os franceses importaram 3,1 milhões de pares, pelos quais pagaram US$ 23,46
milhões, altas de 16,7% e 20,5%, respectivamente, diante do mesmo período de
2021.
ESTADOS
O Rio Grande do Sul seguiu sendo o principal exportador do setor calçadista no
Brasil. Nos primeiros cinco meses, os calçadistas gaúchos embarcaram 11,82
milhões de pares, pelos quais receberam US$ 136,75 milhões, altas de 27,8% em
volume e de 8,3% em receita em relação a 2020.
O segundo exportador de 2021 é o Ceará, de onde partiram 15,7 milhões de pares,
que geraram US$ 82 milhões, incrementos de 14,5% e 5,4%, respectivamente, ante
os cinco primeiros meses de 2020.
São Paulo apareceu no terceiro posto entre os exportadores. Nos cinco meses de
2021, os calçadistas paulistas embarcaram 3,45 milhões de pares por US$ 36
milhões, altas de 25,1% e 18,2% ante o período correspondente de 2020.

























