O primeiro
trimestre de 2023 foi de boas e nem tão positivas notícias para as exportações de calçados brasileiros.
De janeiro a março de 2023, foram embarcados 38,44 milhões de pares ao exterior, o que
gerou US$ 328,44 milhões.
Os registros são 5,7% inferiores em volume e
2,4% superiores em valores em relação ao mesmo período do ano passado.
Analisando apenas o mês de março, as exportações somaram 11,67 milhões
de pares e US$ 108,66 milhões, quedas tanto em volume (-11,4%) quanto em
valores (-2,6%) em relação a março de 2022. Os dados foram elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
DESACELERAÇÃO
O presidente-executivo da Abicalçados,
Haroldo Ferreira, destaca que o mês de março já reflete o cenário de
desaceleração econômica internacional, associado a elevadas taxas de
inflação, o que compromete o crescimento de setores produtores de bens
de consumo não essenciais. “Ao mesmo tempo, notamos um acirramento da
concorrência internacional, na medida em que a China retoma seu
posicionamento após as restrições da política de Covid Zero, além da
queda do custo do frete internacional, hoje quase 80% abaixo do mesmo
mês do ano anterior”, avalia o executivo,.
Ele ressalta que as
dificuldades com a elevação do frete fizeram, no ano passado, com que
países geograficamente próximos ao Brasil buscassem o abastecimento
aqui, em detrimento da Ásia.
ESTADOS UNIDOS
Outro
fato destacado pelo dirigente é a queda das exportações para os Estados
Unidos, principal destino do calçado brasileiro no exterior. “Como
resultado da desaceleração internacional e do crescimento do nível de
estoques no mercado, as importações totais de calçados dos Estados
Unidos já sofreram redução de 21,5% (em volume), o que tem impacto
direto nos embarques brasileiros”, acrescenta Ferreira.
No
trimestre, o principal destino das exportações de calçados brasileiros
foram os Estados Unidos. No período, os norte-americanos importaram 2,9
milhões de pares verde-amarelos, que geraram US$ 56,87 milhões, quedas
tanto em volume (-51,5%) quanto em receita (-35,9%) em relação ao mesmo
período do ano passado.
O
segundo destino dos primeiros três meses foi a Argentina, que recebeu
3,23 milhões de pares por US$ 55,32 milhões, altas tanto em volume
(+1,4%) quanto em receita (+52,8%) em relação ao mesmo período de 2022.
Com
crescimento expressivo e ultrapassando a França na terceira posição, a
Espanha figurou no ranking dos principais destinos do calçado
brasileiro. No primeiro trimestre, foram embarcados para lá 5,75 milhões
de pares, que geraram US$ 17,8 milhões, altas de 265,6% e 272,2%,
respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado.
ESTADOS
O
principal exportador brasileiro de calçados segue sendo o Rio Grande do
Sul. No primeiro trimestre, as fábricas gaúchas exportaram 9,58 milhões
de pares por US$ 139,94 milhões, quedas tanto em volume (-11,2%) quanto
em receita (-4%) em relação ao mesmo intervalo de 2022.
O
segundo exportador do trimestre foi o Ceará, de onde partiram 13,18
milhões de pares por US$ 83,54 milhões, queda de 6% em volume e
incremento de 6% em receita na relação com o mesmo ínterim do ano
passado.
Encerrando
o ranking, apareceu São Paulo. No primeiro trimestre, partiram das
fábricas paulistas 2 milhões de pares, que geraram US$ 30,53 milhões,
queda de 6,8% em volume e incremento de 3% em receita na relação com o
mesmo período de 2022.

























