Erradicação do trabalho infantil no setor calçadista motiva encontro com empresários

A erradicação do trabalho infantil nas fábricas de calçados foi tema de workshop realizado nesta semana na sede do Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui (Sinbi). Para uma plateia de empresários e profissionais do setor calçadista, o assessor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Igor Hoelscher, e Leonardo Machado, da gerência executiva de Facilitação de Negócios Internacionais da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) falaram sobre os esforços da indústria para a erradicação definitiva do trabalho infantil na atividade.

Destacando o trabalho que vem sendo realizado pelo setor desde a década de 1990 no sentido de dar fim ao envolvimento de crianças na atividade, Hoelscher disse que a questão também é de responsabilidade das empresas. “Além da responsabilidade social, a atuação dentro dos parâmetros legais de erradicação do trabalho infantil no segmento pode auxiliar na geração de negócios no mercado interno e externo”, disse.

Segundo o executivo, a questão evoluiu com o passar dos anos, embora possam existir casos isolados de trabalho de crianças no segmento. “Não é possível que se tratem casos isolados como regra de uma indústria que evoluiu muito na questão desde a década de 90, quando os Estados Unidos reportaram trabalho infantil em fábricas brasileiras de calçados pela primeira vez”, destacou, em referência ao fato do Brasil ainda figurar em listagens do departamento norte-americano do trabalho (DOL – sigla em inglês) como um país que utiliza trabalho de crianças na indústria de transformação. “A Abicalçados vem trabalhando para que o departamento dos Estados Unidos possa nos apontar onde existe a modalidade, mas eles admitem que se tratam apenas de evidências geradas através de publicações na imprensa que, muitas vezes, carecem de credibilidade e evidências”, acrescentou, informando que a entidade vem trabalhando junto aos órgãos responsáveis pelas listagem nos Estados Unidos para a retirada do setor dos relatórios oficiais.

Assim como a Abicalçados, a Apex-Brasil busca mais detalhes sobre onde existe a ilegalidade para atacá-la. “O fato do Brasil ser um país combativo ao trabalho forçado, não só de crianças, também acaba nos colocando em listas como as dos Estados Unidos justamente pelo método utilizado para o levantamento”, disse. Segundo ele, países que não são combativos, que tampouco têm a figura de fiscais do trabalho e uma imprensa livre, são livrados da listagem, mesmo que tenham trabalho infantil em suas indústrias.

Selo
Durante o encontro foi apresentado o case do Instituto Pró-Criança, fundado em 1999 pelo Sinbi
com o objetivo de não somente erradicar o trabalho infantil no setor calçadista da cidade, mas dar oportunidade para que as crianças participem de atividades para o desenvolvimento cultural e humano através de aulas, oficinas e entretenimento.

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