Empresário gaúcho leva dois pés de tênis na coletiva da BFSHOW e faz um alerta à sociedade

Quando o empresário gaúcho Pedro Bartelle apareceu na coletiva de imprensa da 3ª BFSHOW, no final da manhã desta terça-feira (12), no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP), logo chamou a atenção dos jornalistas.

O CEO da Vulcabras, uma das maiores calçadistas do país, trazia na mão dois pés de tênis Olympikus. A marca é desenvolvida pela Vulcabras, principal produtora de calçados esportivos do Brasil.

A situação despertou a curiosidade dos presentes pois numa coletiva de imprensa não é hora de os empresários fazerem propaganda e divulgação de seus produtos.

Quando os integrantes da mesa de autoridades começaram a se pronunciar, Bartelle tratou de esclarecer o motivo de estar com aqueles dois modelos: um pé era original Olympikus, o outro era falso. O pirata tinha direito a etiqueta com a marca Olympikus e a bandeira do país. “A indústria brasileira tem muitos
problemas, com relação à concorrência desleal, alta carga tributária e
custo com mão de obra, que é, pelo menos, 40% maior do que o praticado
nos países asiáticos. A falsificação é outro grave problema dessa
lista”, disse.

RISCOS À SAÚDE

Bartelle mencionou os impactos negativos que a pirataria representa para o setor calçadista e até mesmo para o país. A empresa, por exemplo, precisa investir recursos e contratar advogados para buscar reparações e apurar denúncias.

Na outra ponta, os clientes são lesados de diferentes formas, pois compram um produto achando que é original, mas é falso. “Ainda tem as questões de saúde. As pessoas vão utilizar um produto pirata que poderá provocar lesões ou até outros problemas mais graves”, comentou. Também existem questões de concorrência desleal (afetando empregos), perda de arrecadação e outros desdobramentos para a economia, já que muitas vezes os trabalhadores contratados são penalizados por estas empresas que se especializaram em falsificar – roubar – as marcas.

A Abicalçados está com uma campanha de combate à pirataria e a própria empresa faz seus movimentos educacionais e preventivos, inclusive com grupos de corredores de rua, que são orientados a denunciar ou apontar produtos falsos. “As autoridades precisam agir de forma mais incisiva, com mais força. Ou vamos enxugar gelo nesse tema”, desabafou.

Vale lembrar: quem falsifica é um ladrão que rouba a história de uma marca, os investimentos e as pesquisas de uma marca, a credibilidade de uma marca, para poder faturar em cima. São criminosos que agem assim.

Durante a coletiva, os dois pés foram sendo passados entre os jornalistas e ficou nítida a diferença na qualidade dos produtos. O original Olympikus era mais leve, mais flexível, com melhores acabamentos e outras tecnologias implantadas. Só que um consumidor que não conhece os detalhes de qualidade do produto acaba comprando pelo preço mais em conta e leva uma falsificação para casa.

APREENSÕES

Nas últimas semanas, o Portal Martin Behrend publicou reportagens de apreensões de milhares de pares de calçados falsificados. Anteriormente, o Portal já havia publicado reportagem com a campanha da Abicalçados:

Calçados falsificados: entidade alerta para graves prejuízos ao país com pirataria: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…

Cerco à falsificação de calçados: polícia apreende milhares de pares: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…

Mais de 20 mil pares de calçados falsificados são apreendidos no RS: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…

CONCORRÊNCIA DESLEAL

Frisando
o crescimento da produção de calçados entre janeiro e setembro deste
ano – conforme o IBGE de 4,8% – , o presidente-executivo da Associação
Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira,
destacou durante a coletiva que o mercado interno deve garantir o crescimento da atividade
para 2024 – estimativa de mais de 3% – e para 2025 – projeção de cerca
de 2% de crescimento. “Com isso, em 2025 devemos recuperar as perdas da
pandemia, que causou uma ruptura no setor. Neste ano, devemos encerrar
com uma produção de mais de 890 milhões de pares de calçados, passando
para até 904 milhões de pares produzidos no próximo ano – em 2019, a
produção havia sido de 898 milhões de pares.

O
dirigente ressaltou, ainda, que o crescimento da indústria calçadista
poderia ser ainda mais expressivo, caso não fosse a concorrência desleal
imposta pelos calçados asiáticos e pelas plataformas internacionais de
e-commerce. “Em 2024, devemos encerrar com uma queda de cerca de 20% nas
exportações e crescimento de mais de 20% nas importações de calçados,
puxada pelos países asiáticos. São produtos que chegam ao mercado
brasileiro com preços abaixo dos praticados no mercado e que concorrem
de forma predatória com a nossa indústria”, pontuou.

Segundo ele, a
Abicalçados está trabalhando para agregar no mecanismo antidumping –
hoje em voga contra o calçado chinês, que paga sobretaxa de US$ 10,22
para entrar no Brasil – Vietnã e Indonésia. “Hoje, a produção chinesa
está migrando para países próximos com custos ainda menores de mão de
obra, que seguem praticando dumping”, acrescentou.

Participaram da coletiva de imprensa o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira; o CEO da NürnbergMesse Brasil, João Paulo Picolo; a coordenadora de Indústria e Serviços da
Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos
(ApexBrasil), Mariele Christ; o CEO da Vulcabras, Pedro Bartelle; o presidente da Calçados Beira Rio, Roberto Argenta; a diretora
de Criação da World Colors, Vania Castilho Mestriner; o diretor
comercial da Grendene, Paulo Barth; o diretor Comercial da Marina Mello,
Rodrigo Martins; e o gerente Comercial da Democrata, Marcelo Paludetto.

Cerca de 25 jornalistas e comunicadores brasileiros e estrangeiros acompanharam a coletiva de imprensa, lotando a sala reservada para o encontro.

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