Em 2024: exportações de calçados brasileiros recuam e importações com origem na Ásia disparam

Dados
elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados
(Abicalçados) apontam que as importações de calçados dispararam ao longo
de 2024.

Mesmo com o dólar em alta e o real desvalorizado – a situação cambial poderia inibir as importações -, a invasão de calçados do exterior se mostra robusta.

Somente no mês de dezembro, entraram no Brasil mais de 3,2
milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 42,65 milhões.

Os
registros apontam para altas de 75% em volume e de 46,5% em receita no
comparativo com o mesmo mês de 2023.

No acumulado de todo o ano passado,
as importações alcançaram 35,8 milhões de pares e US$ 477,72 milhões,
incrementos de 26,3% e 7,9%, respectivamente, ante 2023.

ÁSIA

As
principais origens das importações seguem sendo os países asiáticos
China, Vietnã e Indonésia, que responderam por mais de 80% dos calçados
que entraram no Brasil ao longo do ano. O Vietnã, no último mês de 2024,
exportou para o Brasil 887,8 mil pares de calçados por US$ 16,68
milhões, altas de 56% em volume e de 42,2% em receita na relação com o
mesmo mês de 2023.

No acumulado de 2024, as importações de calçados
oriundos do Vietnã somaram 11,9 milhões de pares e US$ 224 milhões,
altas tanto em volume (25%) quanto em receita (5,2%) em relação a 2023.

Em
dezembro, foram importados da China 860 mil pares de calçados por US$
3,9 milhões, incrementos de 105,8% em volume e de 48% em receita no
comparativo com o mesmo período de 2023. No acumulado do ano, as
importações de calçados da China somaram 9,8 milhões de pares e US$ 40,2
milhões, alta de 4% em volume e queda de 16% em receita em relação a
2023. O preço médio ficou em US$ 4,06, queda de 19% ante 2023, um
indicativo de preços artificialmente abaixo dos praticados no mercado
(dumping).


OUTROS PAÍSES


Além
do aumento das importações, que tiram espaço dos calçados brasileiros
nas prateleiras das lojas, preocupam a Abicalçados os novos entrantes no
mercado das importações. Em 2024, apareceram players asiáticos como
Camboja, Índia, Mianmar e Bangladesh, que juntos exportaram para o
Brasil mais de 2,5 milhões de pares, 56% mais do que em 2023. “Existe
uma mudança na produção intra-Ásia em busca de menores custos com mão de
obra. E, no caso das exportações para o Brasil, também para driblar a
tarifa de antidumping aplicada contra o calçado chinês (hoje em US$
10,22 por par, além da tarifa de importação)”, explica o
presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. Segundo ele, o
alerta foi realizado para o governo federal, que ficou de analisar o
caso com base nos dados fornecidos.



QUEDA NAS EXPORTAÇÕES

Diferentemente
das importações, as exportações do setor caíram em 2024. Dados
elaborados pela Abicalçados apontam que, em dezembro, foram embarcados
7,83 milhões de pares por US$ 72,4 milhões, incremento de 5,4% em volume
e queda de 1,4% em receita na relação com o último mês de 2023. No
acumulado do ano, as exportações brasileiras somaram 97,45 milhões de
pares e US$ 976 milhões, quedas tanto em volume (-17,7%) quanto em
receita (-16,4%) em relação a 2023.

As
principais origens das exportações de 2024 foram o Rio Grande do Sul
(32,28 milhões de pares e US$ 485,36 milhões, quedas de 8,6% e 10,9%,
respectivamente, ante 2023); Ceará (30,2 milhões de pares e US$ 199,3
milhões, quedas de 17,5% e 25%); e São Paulo (5,84 milhões de pares e
US$ 91,26 milhões, quedas de 23% e 16,7%).


ESTADOS UNIDOS

O
principal destino dos embarques brasileiros ao longo de 2024 foi os
Estados Unidos, para onde foram embarcados 10,28 milhões de pares por
US$ 216,3 milhões, quedas tanto em volume (-3,3%) quanto em receita
(-4,8%) em relação a 2023.

Na sequência, aparecem a Argentina (12,6
milhões de pares e US$ 201,54 milhões, quedas de 10,5% e 10%,
respectivamente) e Paraguai (8,34 milhões de pares e US$ 42,7 milhões,
quedas de 20,6% e 13,5%, respectivamente).

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