Não teve foguetório, mas a indústria calçadista brasileira pode comemorar a eleição de Maurício Macri como novo presidente da Argentina. Ele tomará posse em 10 de dezembro e vai suceder a atual presidente, Cirstina Kirchner. A saída de Kirchner e o ingresso de um oposicionista devem encerrar um período tenebroso nas relações comerciais entre a Argentina e o setor de calçados brasileiro. “Ainda é muito cedo para afirmarmos o que vai ocorrer, até porque o país deverá passar por mudanças internas
muito fortes, mas as perspectivas para nosso setor são positivas a partir do estilo do novo presidente”, avalia o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein.
Quando Cristina Kirchner assumiu o governo, em 2007, as empresas brasileiras exportaram, naquele ano, 18,26 milhões de pares para a Argentina. No ano seguinte, com muitos negócios encaminhados, houve um pico de 18,53 milhões de pares exportados. Depois disso, os reflexos de uma política implantada por Cristina, cheia de controvérsias e lances desrespeitosos nas relações comerciais existentes no Mercosul, começaram a aparecer com mais força. Se em 2007
exportamos mais de 18 milhões de pares, em 2014, por exemplo, não se alcançou oito milhões de pares. “Tivemos uma sucessão de problemas mais graves há dois e três anos, com muitos bloqueios e prejuízos para nossos calçadistas. Isso diminuiu, mas ainda temos casos pontuais de fabricantes que não conseguem licenças”, destaca Klein.
A Argentina sempre foi um parceiro estratégico para o setor calçadista brasileiro e um dos nossos principais compradores. Embora algumas empresas – inclusive, de outros setores – tenham deixado o país, o dirigente da Abicalçados acredita que o reaquecimento dos negócios partirá de algumas sinalizações positivas do presidente Macri. “Indústrias que deixaram a Argentina perceberam que, no horizonte, não havia mais alternativa. No momento em que o quadro se alterar, os negócios poderão voltar a crescer”, avalia. Klein, contudo, não projeta uma reação imediata: serão necessários dois ou três anos para que os argentinos arrumem a casa e voltem a comprar com mais força marcas brasileiras.
EXPORTAÇÃO DE CALÇADOS BRASILEIROS PARA ARGENTINA
2005 – 14,17 milhões de pares (part. 7,5%) por US$ US$ 112,77 milhões (6%)
2006 – 15 milhões de pares (8,4%) por US$ 125,2 milhões (6,7%)
2007 – 18,26 milhões de pares (10,3% ) por US$ 166,44 milhões (8,7%)
2008 – 18,53 milhões de pares (11,2% ) US$ 193 milhões (10,3%)
2009 – 13 milhões de pares (10,2% ) por US$ 142,37 milhões (10,5%)
2010 – 14,13 milhões de pares (9,9% ) por US$ 167,34 milhões (11,3%)
2011 – 13,76 milhões de pares (12,2% ) US$ 195,35 milhões (15,1%)
2012 – 10,22 milhões de pares (9%) por US$ 135,9 milhões (12,4%)
2013 – 8,9 milhões de pares (7,2% ) por US$ 118,88 milhões (10,9%)
2014 – 7,66 milhões de pares (5,9% ) por US$ 81,68 milhões (7,7%)
*Entre parênteses está o que representa no total das exportações brasileiras de calçados.
Fonte: Abicalçados
