EDITORIAL – Ontem foi Reinaldo Azevedo. Amanhã pode ser você. Ou eu.

O dia de ontem, 23 de Maio de 2017, foi péssimo para todos aqueles que prezam
pela democracia e pelo Estado Democrático de Direito. Foi divulgada a
transcrição de uma conversa pessoal entre a irmã do senador Aécio Neves (PSDB), Andrea Neves,
e um jornalista nacionalmente reconhecido, Reinaldo Azevedo. Andrea estava
sendo investigada pelo STF e por isso todas as suas ligações telefônicas eram
grampeadas. Mas a conversa com Reinaldo Azevedo nada tinha que ver com
investigação alguma, e mesmo sendo gravada e transcrita, jamais deveria ser
divulgada. Tratava-se de uma conversa privada entre um jornalista e sua fonte.
Como resultado, o jornalista acabou saindo da revista Veja e da rádio Jovem Pan.


Não
está claro quem tomou a decisão da divulgação: se a PGR, o STF ou a PF. Não
está claro, sequer, se foi proposital ou se foi erro. O que está claro é que
uma instituição do judiciário brasileiro desrespeitou o direito ao sigilo de
fonte, uma das pedras fundamentais da democracia. Está lá no artigo 5º da Constituição Federal:


XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando
necessário ao exercício profissional;


Historicamente,
Reinaldo Azevedo sempre criticou duramente Lula e Dilma. Mas nos últimos tempos
vinha fazendo também críticas severas à Lava Jato e ao p
rocurador-geral da república, Rodrigo Janot.
Liberdade é justamente isso, mas suas opiniões não vêm ao caso aqui. O fato é
que seu sigilo de fonte foi quebrado e será uma tragédia caso isso tenha sido
feito de forma deliberada por uma instituição com o propósito de prejudicar o
jornalista em função do que falava.


Reinaldo
Azevedo não era o investigado. Reinaldo Azevedo não estava negociando cargos
públicos. Reinaldo Azevedo não estava pedindo ou oferecendo propina. Reinaldo
Azevedo não estava dando informações confidenciais da justiça. Por que então
uma conversa irrelevante para um processo não foi descartada, bem como se
tornou pública? Para constranger o jornalista? Para revelar como obtinha
informações? Para calar sua voz?



Martin
Nienmoller era um pastor alemão que inicialmente viu o surgimento do nazismo na
Alemanha com certa euforia, mas acabou sendo preso pelo próprio regime. Ele
disse certa vez:
“Quando os
nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era
comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque,
afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu
não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os
judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me
levaram, não havia mais quem protestasse”

É sempre necessário relembrar que o Portal Martin Behrend sofreu por dois anos com censura e discriminação praticadas pelo governo do ex-prefeito de Novo Hamburgo, Luis Lauermann (PT), numa coligação lideradas pelos partidos PT, PDT, PTB e PCdoB. Mesmo com repúdios públicos da comunidade hamburguense, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais e da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, este governo seguiu rasgando a Constituição praticando censura e discriminação.

Hoje
este abuso atinge Reinaldo Azevedo. Amanhã pode atingir a mim, também
jornalista. Mas depois pode atingir você, por um comentário na rede social ou
por uma opinião numa mesa de bar. E aí será tarde.

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