Câmara dos Deputados flexibiliza – um pouco – horário de transmissão da Voz do Brasil

Uma ditadura que atinge milhões de brasileiros começa a ser flexibilizada. É a ditadura da Voz do Brasil no rádio, sempre às 19 horas, de segunda-feira a sexta-feira.

Um gesto autoritário, unilateral e nada democrático. Há décadas, milhões de ouvintes de rádio vêm sendo obrigados a ouvir notícias de Brasília – dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Enquanto existem informações relevantes a serem repassadas das cidades, como do trânsito, acidentes, incêndios, coberturas esportivas, entre outras, o Brasil precisa se submeter aos discursos da capital federal. É isso ou a emissora de rádio é punida. Ditadura na veia.

Pois a Voz do Brasil, programa de rádio com mais de 80 anos no
ar, terá o horário flexibilizado. A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei
que permite às rádios iniciar a Voz do Brasil entre 19 horas e 21 horas. Até
agora era obrigatório transmitir ao vivo, às 19 horas.

A matéria tramita há 15 anos no Congresso. O projeto de lei previa,
inicialmente, que a Voz fosse transmitida também na televisão, mas as mudanças
feitas ao longo do tempo retiraram a ideia original e permitiram a
flexibilização.

Os opositores tentaram adiar a votação, sem sucesso. Os parlamentares afirmaram
que a mudança significa o enfraquecimento do programa que leva informações
sobre políticas públicas e mostra a diversidade de opiniões políticas do
Congresso, principalmente para área rural, segundo a deputada Jô Moraes, do
PCdoB de Minas Gerais.

Já os favoráveis a flexibilização argumentaram que o programa não vai acabar e,
sim, dar a opção para que as rádios coloquem no ar outras transmissões, como
jogo de futebol ou informações sobre o trânsito.

Deputados como o líder do PDT, André Figueiredo, afirmaram também que a lei é
um aperfeiçoamento do serviço prestado pela Voz do Brasil.

De acordo com o líder do PRB, Celso Russomanno, existem cerca de 3 mil medidas
judiciais provisórias autorizando a flexibilização da Voz do Brasil para
emissoras que questionaram a obrigatoriedade de transmissão.

O projeto de lei foi defendido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio
e Televisão (Abert). A matéria, agora, vai para sanção do presidente Michel
Temer.

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