As atenções do setor calçadista brasileiro já estão voltadas para o Expo Center Norte, em São Paulo. Embora a 42ª Couromoda – Feira Internacional de Calçados e Artefatos de Couro tenha início oficial no
domingo (11/01) e se estenda até quarta-feira (14/01), muitas indústrias calçadistas estão desde o começo da semana com suas equipes administrativas, comerciais e de marketing reunidas na capital paulista. São convenções, reuniões, encontros e atividades paralelas que turbinam o clima pré-feira. E, claro, o evento começa com expectativa de boas vendas, mesmo com alguns indicadores da economia brasileira mostrando retração e perda de poder de compra da população. A indústria calçadista se preparou para surpreender os lojistas e promete boas vendas para o primeiro semestre.
Mas tem um fantasma nada simpático rondando o setor. E esta sombra já passou por Igrejinha. No final de dezembro, a indústria calçadista Top Vision, com mais de 50 anos de atividades, fechou as portas desempregando mais de 200 trabalhadores. A empresa produtora de calçados femininos, embora com marca reconhecida nacionalmente, tendo um posicionamento interessante no mercado inteiro e contando com representantes em mais de 20 Estados brasileiros, vinha enfrentando problemas administrativos e neste final de ano teve dificuldades para honrar compromissos. “Notamos uma movimentação de retirada de máquinas ao longo do mês de dezembro. Fomos alertados por funcionários da situação. Ali percebemos que tinha algo estranho acontecendo”, explica o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Igrejinha, Luis Carlos Vieira Cardoso.
Segundo ele, foi feito o arresto de algumas máquinas para garantir o pagamento de direitos dos servidores relativo a dezembro, incluindo o 13º salário. “Já conseguimos garantir os ajustes para os trabalhadores sacarem o FGTS e solicitarem o seguro-desemprego”, informa. Cardoso relata que empresas calçadistas de Igrejinha e municípios vizinhos já fizeram sondagens e poderão absorver parte dos trabalhadores desempregados. Já outros manifestaram interesse em solicitar o seguro. Cardoso avalia que o caso da Top Vision foi isolado e espera que o fechamento de empresas não tenha efeito cascata. “Pelas informações que recebemos, o setor está fortalecido e nossas indústrias seguem com clientes e boa perspectiva de vendas. Temos que torcer para que os negócios logo engrenem”, completa o sindicalista.
Entrei em contato com o Sindicato das Indústrias de Calçados de Igrejinha (Sindigrejinha). A secretária executiva recebeu os questionamentos, mas o presidente e porta-voz, Renato Klein, não foi localizado, impossibilitando o envio das respostas. Também tentei contato com a Top Vision. Liguei para o telefone que se encontra no site da empresa – que segue no ar – e pelo e-mail, mas não obtive retorno.
Que os ventos de otimismo e prosperidade da Couromoda empurrem este fantasma para bem longe. Boas vendas e bons negócios aos participantes!
