Uma fabricante de calçados que exporta para mais de 80 países não aparece quando alguém pergunta ao ChatGPT quais são as maiores indústrias do setor no Rio Grande do Sul.
Uma rede varejista com centenas de lojas no interior gaúcho é ignorada na busca por “onde comprar eletrodomésticos no RS?”.
Da mesma forma, uma gigante presente em mais de 100 países simplesmente desaparece das listas de “maiores multinacionais brasileiras” geradas por IA.
Pois é exatamente isso que revela o estudo inédito “Grandes no Sul, invisíveis para a IA” realizado pela Papa PPG, agência de estratégia de conteúdo e branding com sede em Novo Hamburgo. Ao todo, a pesquisa analisou a visibilidade de 18 marcas de seis setores – financeiro, alimentação, varejo, saúde, educação e indústria – em ferramentas de inteligência artificial generativa.
Para cada empresa, foram formuladas três perguntas distintas: uma busca genérica de segmento, uma busca regional e uma busca direta pelo nome. Com isso, 54 perguntas foram testadas, com as respostas sendo pontuadas de 1 a 5 numa escala criada pela própria agência para mensurar não apenas se a marca aparece, mas como aparece e com quais atributos. “A pergunta que fazemos para as empresas é simples: se um cliente perguntasse a uma IA quem contratar no seu mercado, sua marca apareceria? Na maioria dos casos que analisamos, a resposta é não – e isso está acontecendo agora, com os clientes mais qualificados dessas companhias”, explica acofundadora e diretora executiva da Papa PPG, Nathália Hartz Luvizon.
PADRÕES DE ESTUDO
A análise revelou três padrões recorrentes que atravessam todos os setores investigados:
Tamanho real não garante visibilidade na IA. Empresas com décadas de operação, milhares de funcionários e faturamento expressivo simplesmente não aparecem em buscas genéricas de segmento. Afinal, a IA não “enxerga o tamanho” de uma empresa. Em vez disso, interpreta os registros digitais que encontra sobre cada companhia pesquisada.
Reputação negativa é mais percebida do que reputação positiva. Em vários casos analisados, as marcas até aparecem – mas carregando o peso das reclamações públicas em plataformas como Reclame Aqui. Esses espaços reúnem grande volume de conteúdo estruturado, atualizado continuamente e com padrões recorrentes, características que facilitam seu aprendizado pelos modelos de IA. Sem conteúdo de autoridade que a IA possa citar como diferencial, a narrativa acaba sendo conduzida pelas queixas.
Busca direta e busca genérica são mundos diferentes. Quase todas as empresas analisadas aparecem quando a pergunta cita seu nome diretamente. O problema está nas buscas de segmento, quando o usuário não sabe quem escolher e pergunta à IA. É nessa situação que a maioria desaparece – justamente quando as decisões de descoberta estão sendo tomadas.
VIDEOCAST
Nesta quinta-feira (20), Nathália Hartz Luvizon foi a convidada do Videocast do Portal Martin Behrend. Ela trouxe mais detalhes do estudo inédito, analisou os resultados e explicou como as empresas podem fazer esse levantamento. Confira abaixo a entrevista.


























