Um dos primeiros anúncios do mandato do prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck (PP), ocorreu em 8 de janeiro de 2025.
Na segunda semana após assumir como chefe da Prefeitura, ele comunicou que estava iniciando o processo para disponibilizar à comunidade mais uma opção de transporte e mobilidade urbana por meio de patinetes elétricos.
Finck recebeu em seu gabinete no Centro Administrativo Leopoldo Petry representantes da empresa JetSHR para informar a população sobre a novidade. “Novo Hamburgo precisa estar atualizada com as tendências globais. Os meios de transporte e locomoção mudaram com o passar do tempo, e devemos estar conectados com esse novo momento”, afirmou.
Mais de um ano depois, os patinetes passaram a fazer parte do cenário de muitas ruas de Novo Hamburgo. Entre críticas e elogios, os equipamentos se tornaram alternativas de transporte, seja para deslocamentos ao trabalho ou por lazer. Milhares de pessoas se cadastraram. O próprio prefeito foi visto circulando e indo a eventos com os patinetes.
CRÍTICAS
Só que a presença dos patinetes também tem desagradado muitos hamburguenses. E os motivos são os mais variados.
- Patinentes ficam espalhados em frente a empresas, dificultando o acesso;
- Patinentes prejudicam a circulação de deficientes físicos e visuais, além de carrinhos de bebê;
- Patinetes impactam a circulação nas ruas pela falta de experiência de seus condutores;
- Em caso de acidente, quem responde ou se responsabiliza? A empresa, que forneceu o equipamento sem saber se a pessoa sabia usar?
- Crianças usam de forma indevida e adultos circulam com mais de uma pessoa, o que é arriscado, além da falta de capacete.
Além dessas situações acima, empresários vêm procurando o Portal Martin Behrend, desde o ano passado, questionando supostos benefícios e vantagens:
- Não houve licitação para essa empresa atuar no município. Essa empresa foi beneficiada em explorar este serviço? Ela simplesmente chegou, se apresentou e a Prefeitura autorizou a atuação?
- Essa empresa está pagando impostos? Qual a contribuição para melhorias na cidade? Os patinentes ocupam calçadas e ruas, os acidentes provocados por patinetes resultam na atuação de viaturas públicas para atendimento dos envolvidos. Com a empresa se aproveitando da infraestrutura e dos serviços da cidade, quanto ela paga de imposto?
- Se a empresa não está pagando impostos, mas lucrando com a infraestrutura da cidade, qual a razão para ela ser beneficiada? Por que outras empresas e indústrias do município, que estão instaladas há décadas e gerando centenas de empregos, não estão isentas de impostos?
- A empresa tem sede física, está gerando empregos em Novo Hamburgo?

FUNDO MUNICIPAL
Além de empresários intrigados com essa situação, a vereadora Luciana Martins (PT), fazendo uso da prerrogativa de fiscalizar os contratos do Poder Executivo, vem desde o ano passado tentando descobrir se a empresa JetSHR está contribuindo com valores para o Fundo Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte Público (FUMUTP). A vereadora está reiteradamente questionando a Prefeitura sobre a relação dos valores mensais arrecadados da empresa JetSHR desde a regulamentação do serviço, em fevereiro de 2025.
Em julho, outubro e novembro de 2025, a parlamentar petista cobrou informações do governo Finck sobre os valores que estão ficando em Novo Hamburgo a partir da exploração dos serviços de patinetes.
O Portal Martin Behrend teve acesso a um requerimento, de dezembro de 2025, e recebido na Câmara em janeiro de 2026, assinado pelo prefeito Gustavo Finck e pelo procurador-geral do município, Vanir de Mattos. Neste documento, é informado que, ao longo do ano passado, não havia sido finalizado o credenciamento da empresa dentro da Prefeitura, especificamente na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo. “A complexidade dos procedimentos e a necessidade de articulação intersetorial exigem paciência e rigor, mas o objetivo final de garantia da boa aplicação soa recursos públicos permanece inalterado”. Em outro trecho, o documento informa: “A fase de credenciamento, com suas exigências documentais e análises técnicas, é um requisito formal que antecede a efetiva exploração do serviço e a consequente geração da receita da FUMUTP”.
O resumo do documento é: passou um ano inteiro, a empresa lucrou livremente com os serviços, fez uso de toda infraestrutura da cidade e, até o começo deste ano, ainda não estava credenciada no município – olha a demora para uma empresa se regularizar na cidade.
Com isso, a empresa não tinha repassado valores ao Fundo Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte Público.
Nesta semana, a atuação da empresa também gerou muitas críticas em Gramado. Os impactos dos patinetes nas ruas e calçadas provocou críticas e questionamentos de vereadores gramadenses.
PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO
Há três semanas, o Portal Martin Behrend procurou a Prefeitura de Novo Hamburgo. Foi oferecido espaço para esclarecimentos sobre as dúvidas e questionamentos. Até o fechamento da reportagem, o governo do prefeito Finck não teve interesse em se manifestar.
EMPRESA JET
Há três semanas, o Portal Martin Behrend procurou a empresa Jet. Foi oferecido espaço para esclarecimentos sobre as dúvidas e questionamentos. Após um retorno inicial da assessoria, não veio qualquer manifestação sobre as dúvidas da comunidade.

























