Na sessão desta segunda-feira (1º) da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo foi revelado mais um caso de desperdício de dinheiro público.
O vereador Cristiano Coller (PP), atual presidente do Poder Legislativo, informou que a Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH) ficou pagando o aluguel, desde 2022, de um prédio que não presta qualquer serviço público.
O imóvel em questão fica na Rua Domingos de Almeida, no Centro, próximo da esquina com a Rua Joaquim Pedro Soares. Neste local, por vários anos, funcionou o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD). Segundo informações, o aluguel começou em 2005 com o pagamento sendo realizado pela FSNH. Contudo, há alguns anos, o serviço foi desativado no endereço.
Conforme Coller, são 45 meses de pagamento de aluguel sem serviços prestados. Isso envolve os governos de Fátima Daudt (MDB) – a maior parte do tempo – e Gustavo Finck (PP). “Como o dinheiro público, às vezes, é mal investido. Não é à toa que falta dinheiro no hospital, educação, saúde, obras”, desabafou.
Em sua manifestação, ele informou o valor do aluguel mensal: R$ 9,2 mil. Num cálculo resumido, representa mais de R$ 400 mil. Coller confirmou a informação com a imobiliária responsável. “Esse valor foi colocado fora. Não tem trabalho algum”, destacou.
Ele informou que, após denúncia, FSNH e o proprietário negociaram para realizar a rescisão do contrato. “Fico chateado, triste. Outro dia, não se tinha R$ 65 mil para arrumar uma peça de um equipamento na saúde. Enquanto isso, se pagando esse valor de aluguel”, completou.
FUNDAÇÃO DE SAÚDE
A FSNH foi procurada pelo Portal Martin Behrend. Foi enviado o seguinte esclarecimento:
“A Fundação de Saúde de Novo Hamburgo esclarece que o contrato de locação do imóvel situado na Rua Domingos de Almeida, 228, não está mais vigente. A locação foi formalmente denunciada em 30/09/2025, os aluguéis foram cessados e as partes firmaram termo de rescisão, restando apenas a formalização final da entrega das chaves.
Em relação ao período em que o imóvel esteve desocupado, houve, em gestões anteriores, a opção de manter o contrato ativo, com pagamento de aluguel, enquanto se buscava uma solução de reforma e possível reaproveitamento do prédio, o que é uma estratégia de gestão possível dentro da legalidade contratual.
A administração atual, por sua vez, adotou entendimento diverso: decidiu encerrar a locação, rescindir o contrato e, se necessário, discutir com os proprietários em esfera judicial eventuais responsabilidades remanescentes.
Ou seja, não se trata de ilegalidade, mas de formas diferentes de enfrentar o mesmo problema contratual em momentos distintos: antes, priorizou‑se a manutenção do contrato até a reforma; agora, priorizou‑se a rescisão e a cessação imediata da despesa. A Fundação permanece à disposição para prestar informações adicionais aos órgãos de controle e à sociedade.”

























