O trânsito esteve interrompido no feriado de 20 de setembro
na rótula das avenidas Nicolau Becker e Avenida Victor Hugo Kunz, em Novo Hamburgo. Mas o motivo
não foi acidente de trânsito ou protesto. As vias do entorno precisaram ser interditadas
para a continuidade do corte de falsa seringueira gigante localizada no passeio
público, junto à movimentada rótula.
As podas na árvore haviam começado há alguns dias e, nesta
quarta-feira, um caminhão com equipamento especial foi acionado para o corte
dos galhos mais altos – cerca de 15 metros de altura. Quem circula pelas
avenidas já pode perceber que se abriu um clarão naquele local da cidade.
Ironicamente, uma árvore com décadas de história e que estava incorporada à
paisagem de Hamburgo Velho virou lenha na véspera do Dia da Árvore – que se comemora
hoje.
A partir de solicitação do Portal Martin Behrend, a Prefeitura
de Novo Hamburgo enviou completo esclarecimento sobre o corte da árvore, bem
como as devidas compensações. Confira a seguir:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
O exemplar arbóreo é uma falsa seringueira, com o nome
original de Ficus elastica, originária da Malásia e conhecida
popularmente como “árvore-da-borracha”. Trata-se, portanto, de uma espécie
invasora. Agressiva quando plantada no solo, as suas raízes costumam destruir
galerias pluviais, redes de esgoto, tubulações de gás, fiações subterrâneas,
fundações e o que mais estiver ao seu alcance. Em primeiro lugar, recomenda-se
sempre o plantio de árvores nativas em vez de exóticas como a Ficus elastica.
Com relação especificamente ao caso, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente
(Semam) informa que todas as etapas de vistoria foram cumpridas, até que o
alvará de manejo de vegetação fosse concedido, em razão de pleno acordo com
trâmites legais. Em tempo: a referida solicitação foi protocolada em 2014.
Conforme a Semam, o requerimento para o manejo conta com “Laudo de Avaliação de
Exemplar Arbóreo”, assinado por engenheiro florestal e analisado e dado parecer
pela Gerência de Proteção Ambiental da pasta. O parecer favorável ao corte se
baseou no fato de que esta Ficus elastica compromete muito o passeio público,
impossibilitando a passagem de pedestres, além de danificar o muro que fica ao
seu lado e invadir a via pública – com comunicados de problemas junto à
Diretoria Municipal de Trânsito e registro de Boletim de Ocorrência em virtude
de acidentes. Apontou-se, ainda, a proximidade das raízes com a canalização de
gás, além de danos à vegetação nativa adjacente, no caso, dois ipês que se
encontram bem próximos da Ficus elastica.
O laudo que classifica os motivos da retirada da árvore é vasto e encontra-se
de posse da Semam, bem como do Ministério Público. É importante ressaltar que a
avaliação da concessão do alvará de manejo passou pela avaliação criteriosa, em
reunião extraordinária, do Conselho Municipal de Saneamento Ambiental (Consam),
que resultou em votação unânime favorável dos integrantes da entidade diante
dos fatos apontados no laudo conclusivo.
Como contrapartida à retirada do exemplar de Ficus elastica, a decisão
prevê a compensação de plantio de cinquenta (50) árvores, em mudas de 2,5
metros de altura, com tutela da empresa responsável pela remoção, a serem
cultivadas no bairro histórico de Hamburgo Velho. Assinala-se, também, a devida
preservação garantida dos dois ipês que se encontram no local.
Por fim, como a referida espécime encontra-se em Hamburgo Velho, torna-se
relevante mencionar o aval oficiado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico do Estado do RS (IPHAE). O documento assinado por seus membros, em
parecer favorável ao procedimento, menciona que “entendemos que a referida
árvore deva ser retirada e que os ipês devem ser mantidos”. Lembrando que essas
espécies nativas têm sido preservadas pela Semam com os devidos cuidados que
envolvem o aproveitamento de seu plantio em lugares públicos e urbanos.
CONFIRA O VÍDEO REGISTRANDO CORTE DE GALHOS MAIS ALTOS

























