Alguns sinais de recuperação da economia vão se confirmando
com o passar dos meses. Não é o fim da crise, que gerou tanto desemprego e
recessão, mas é um horizonte um pouco mais promissor. E contrariando os
prognósticos do início deste ano, desenhados com a crise econômica e a
instabilidade política – que tinha efeitos diários no câmbio –, as exportações
brasileiras de calçados cresceram no primeiro semestre do ano.
Conforme dados elaborados pela Associação Brasileira das
Indústrias de Calçados (Abicalçados), entre janeiro e junho foram embarcados
59,36 milhões de pares que geraram US$ 528,8 milhões, números maiores tanto em
pares (2,5%) quanto em receita (17%) no comparativo com igual período do ano
passado. Somente no mês seis foram embarcados 10,2 milhões de pares que geraram
US$ 87,4 milhões, altas de 9,8% e 4%, respectivamente, no comparativo com o
mesmo mês de 2016.
O presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, destaca que o número
surpreende positivamente. “Os números, felizmente, quebraram o nosso
prognóstico, que no início do ano era melhor para o mercado interno do que para
as exportações, visto a instabilidade do câmbio”, avalia. Segundo o executivo,
a explicação para o incremento passa pela diversificação de mercados – menor
concentração em determinados países, como os Estados Unidos, por exemplo – e
aos esforços das empresas brasileiras no fortalecimento de imagem e marca
além-fronteiras. “A indústria calçadista vem fazendo a lição de casa, cortando
custos, buscando a manutenção de preço e diversificando mercados. Em 15 anos,
passamos de 99 destinos para quase 160, é um salto impressionante e que
certamente influencia nesses números positivos”, explica Klein, ressaltando que
a desvalorização do dólar fez com que o preço do calçado brasileiro aumentasse
quase dois dólares por par, “número que seria maior não fosse o esforço das
empresas”.
RS: o maior exportador do Brasil
No semestre, o Rio Grande do Sul seguiu como o principal
exportador de calçados do Brasil. No período, os gaúchos embarcaram 13,53
milhões de pares por US$ 222,34 milhões, incrementos de 4,3% em volume e de 14%
em receita na relação com o ano passado.
O segundo maior exportador, em receita, foi o Ceará. No semestre, os cearenses
embarcaram 22,4 milhões de pares por US$ 129,23 milhões, altas de 5,6% em pares
e 10,6% em dólares em relação ao mesmo período de 2016.
No terceiro posto apareceu São Paulo. No período, os paulistas exportaram 4,2
milhões de pares que geraram US$ 61,33 milhões, queda de 18% em volume e alta
de 11,3% em receita no comparativo com o ano passado.
























