O Rio Grande do Sul tem um novo dono. O Esporte Clube Novo
Hamburgo, que nesta semana completou 106 anos de história, conquistou pela
primeira vez o título do Campeonato Gaúcho. Foram cinco vice-campeonatos (1942,
1947, 1949, 1950 e 1952) e, agora, o primeiro título (2017). Foi o clube de
melhor campanha. Que venceu seis partidas seguidas nas seis primeiras rodadas
do Gauchão. Que enfrenou Grêmio e Inter por seis vezes – e não perdeu! Que tem
como maestro desse esquadrão o competente Beto Campos.
Neste domingo, no Estádio Centenário, em Caxias do Sul, o
Noia empatou com o Internacional por 1 a 1 no tempo normal. Ernando (contra) e
Rodrigo Dourado marcaram os gols. Como no primeiro jogo da final ocorrera outro
empate – 2 a 2 –, a decisão do campeonato de 2017 foi para as penalidades
máximas. E a estrela anilada brilhou mais forte, vencendo por 3 a 1. Enquanto
no Estádio Beira-Rio foram 42 mil colorados contra 1.000 anilados, em Caxias
foram cerca de 11 mil colorados contra 2,5 mil anilados.
Matheus; Léo, Júlio Santos, Pablo e Assis; Amaral, Jardel,
Preto e Juninho; Branquinho e João Paulo. Esse time não será esquecido dos
torcedores anilados. São onze inesquecíveis. É claro que outros jogadores e a brilhante comissão técnica deram
valiosa contribuição, mas este conjunto de 11 homens se mostrou diferenciado. O
Novo Hamburgo entrou em campo por 17 vezes neste Gauchão. Foram 9 vitórias, 6
empates e apenas 2 derrotas. Uma campanha rara. De um time vencedor.
Foi o título para marcar uma caminhada de superações.
Avaliações de que a equipe era um “cavalo paraguaio” caíram por terra a cada
novo obstáculo derrubado. Teve ainda caso de injúria racial envolvendo um
torcedor anilado nas quartas-de-final contra o São José. E, para finalizar, o
veto para o Estádio do Vale receber a decisão – a ampliação do estádio com
arquibancadas móveis não foi aprovada pelo Corpo de Bombeiros. Nada abalou a
equipe hamburguense.
Esta equipe também vingou os vice-campeões do Estado em 1947.
Há 70 anos, o Noia fez brilhante campanha, mas a atuação da arbitragem tirou o
título do Novo Hamburgo naquele ano. O Inter foi o campeão em 1947. Desta vez,
mesmo o árbitro Leandro Vuaden cheio de más intenções, o título não escapou.
O Novo Hamburgo dos Taquarais. O Novo Hamburgo do Santa
Rosa. O Novo Hamburgo do Estádio do Vale. O Novo Hamburgo que virou Floriano e
que voltou a ser Novo Hamburgo. O Novo Hamburgo de Novo Hamburgo. O Novo
Hamburgo de torcida pequena, mas valente e guerreira. O Novo Hamburgo que está
habilitado para a Série D do Brasileirão de 2017 e para a Copa do Brasil de
2018.
Façam espaço no Memorial Reinaldo von Reisswitz. Tem caneco
novo chegando. O Rio Grande do Sul tem um novo dono. E ele se chama Esporte
Clube Novo Hamburgo.
NOVO HAMBURGO
Matheus; Léo, Júlio Santos, Pablo e Assis (Léo Carioca);
Amaral, Jardel, Preto e Juninho; Branquinho (Lucas Santos) e João Paulo.
Técnico: Beto Campos.
INTERNACIONAL
Danilo Fernandes; William, Victor Cuesta, Léo Ortiz e
Ernando (Carlos/Diogo); Rodrigo Dourado, Edenílson (Valdívia), Uendel e
D’Alessandro; Nico López e Brenner. Técnico: Antônio Carlos Zago.

























