O Rio dos Sinos está mais silencioso desde dezembro do ano
passado. O barco-escola do Instituto Martim Pescador completará dez meses fora
de navegação e, atualmente, está atracado no porto da Patrulha Ambiental da
Brigada Militar, em Porto Alegre. Ele está retido como garantia em função de ações
trabalhistas de ex-funcionários do instituto. A soma das ações alcança R$ 160
mil. A situação se complicou após a morte do fundador da entidade, Henrique
Prieto, que foi prefeito e vereador em São Leopoldo.
O atual presidente do Instituto Martim Pescador, o
sapiranguense Júlio Agápio, reconhece os prejuízos para a comunidade regional,
em especial às escolas. “Entramos na diretoria sabendo desse desafio. Contudo,
não conseguimos reverter o principal problema, que é ter o barco-escola fora de
circulação”, lamenta. Ele destaca que a situação ficou mais aguda após o
falecimento de Prieto. “Tentamos dialogar com quem apresentou as ações
trabalhistas, mas não conseguimos obter êxito. Foram irredutíveis. Nossa principal fonte de renda é
com o barco em movimento. Com ele atracado, praticamente não temos de onde
tirar recursos”, explica Agápio.
A esperança para o quadro ser alterado está no Consórcio
Público de Saneamento Básico da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos – Pró-Sinos,
que envolve 26 dos 32 municípios da bacia do Sinos. Segundo Agápio, existe uma
alternativa do consórcio aplicar recursos na compra do barco, viabilizando o
pagamento das ações e liberando o barco-escola. “Estamos construindo uma
solução, mas não é tão fácil. O caminho será via Pró-Sinos. Vamos evitar um
leilão, que seria muito desagradável”, informa. “Nossa meta é ter o barco
navegando até o final de 2016”, projeta.
A sugestão da pauta sobre o barco do instituto foi indicação
de uma professora de Novo Hamburgo. Ela pretendia levar uma turma de alunos em
função de estarem estudando o Rio dos Sinos, mas o programa escolar não aconteceu em
função desse impasse. Ela destacou que foi feita uma Ação Entre Amigos para arrecadar
recursos a fim de ajudar o instituto com a participação de estudantes
hamburguenses. “Esse valor alcançou cerca de R$ 19 mil e ajudou a pagar algumas
contas e dívidas, além de questões envolvendo a contabilidade. Infelizmente,
não foi o suficiente para reverter a situação”, lamenta o presidente. “Também com
esse recurso pagamos o salário do nosso comandante, que ficou sem trabalho, mas
tem sido solidário com a gente”, completa Agápio.
O surgimento do barco-escola do Instituto Martim Pescador provocou uma
revolução na visão de milhares de estudantes. Ele possibilitou colocar as
crianças dentro do rio, vendo de perto as belas paisagens e, ao mesmo tempo, a
sujeira e a poluição. E embarcação se tornou referência regional. Inclusive,
havia uma previsão para um segundo barco-escola afim de “subir o rio”. O barco se
tornou um patrimônio das comunidades do Rio dos Sinos. São 32 municípios que
integram a bacia do rio. É lamentável que, num momento desses, os
administradores não estejam na linha de frente ajudando de forma mais efetiva a
liberar o barco. Tem tanto dinheiro para CC, publicidade, diárias e viagens,
mas não sobra para algo tão importante envolvendo a preservação do Rio dos
Sinos. O discurso das lideranças políticas deve ter se perdido numa das tantas
curvas do rio.

























