Um empresário de Novo Hamburgo, que atua no setor de representação
comercial, viveu momentos surreais no começo desta tarde. Após ligar para os
bombeiros informando que um incêndio no canteiro central da BR-116 não estava
controlado, ele recebeu voz de prisão de integrantes da Polícia Rodoviária
Federal (PRF) e foi conduzido à Central de Polícia, onde ficou preso na sala de
contenção. Mais tarde, após prestar depoimento e já na presença de um advogado,
foi colocado em liberdade. O motivo da prisão: suposto desacato à autoridade e supostas
ofensas a uma integrante do Corpo de Bombeiros.
A novela começa com um incêndio no canteiro central da
BR-116, perto do Ginásio Agostinho Cavasotto, por volta do meio-dia. Um
caminhão dos bombeiros é acionado pela comunidade, vai até o local, faz uma
contenção e deixa o local. Como o trabalho não foi bem feito, o fogo reaparece.
Tem muita fumaça. Eis que o empresário, que trabalha no Rincão, telefona para a
corporação informando o ocorrido, destacando que o trabalho preventivo anterior
não foi suficiente.
Sem poder trabalhar por falta de energia elétrica em parte
do bairro – a AES Sul fazia a manutenção de cabos na BR-116 e, provavelmente,
a rede foi temporariamente desativada –, o empresário e um colega foram para
perto do local do incêndio conferir o que estava acontecendo. A reportagem do
Portal Martin Behrend também esteve na BR-116 para fazer um registro das chamas
e da fumaça que atrapalhavam a visibilidade dos motoristas.
O empresário foi conferir o que poderia ter
originado as chamas e teve um diálogo com a integrante do Corpo de Bombeiros Deise de Oliveira. Em seguida, retornou para a rua lateral do bairro Rincão. Na sequência, uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) chega ao local para
reposicionar cones na rodovia federal para atuação de dois caminhões da AES
Sul. Após essa movimentação, dois policiais entram na viatura, pegam a BR-116,
mas retornam pela rua lateral até o local onde estava o empresário. Os
bombeiros, após concluírem o trabalho, também vão até o mesmo local.
Os policiais rodoviários desembarcam da viatura pedindo
documentos do empresário e de seu sócio. Eles perguntam o motivo. O policial
ignora. Os hamburguenses explicam que estão ali, pois não podem trabalhar pela
falta de energia elétrica e convidam os policiais a confirmarem o que estão
dizendo. Nada feito. Um dos empresários considera a abordagem um abuso e sugere
filmar a ação. O policial ameaça recolher o celular. Após fazer uma consulta, um
dos policiais dá voz de prisão ao empresário por desacato a autoridade, após a
integrante dos bombeiros confirmar quem supostamente teria a ofendido. O
empresário é colocado no banco de trás da viatura da PRF e levado até a Central de Polícia.
Chegando ao local, o policial civil plantonista coloca o
empresário na sala de contenção. Do lado de fora, ficam os bombeiros e os
integrantes da PRF. A reportagem do Portal Martin Behrend conversou com eles,
mas o diálogo foi curto. “Foi desacato. Ele deverá ser colocado em liberdade”,
respondeu um policial rodoviário. “Depois vou me manifestar”, disse a
integrante dos bombeiros.
Na sequência, um policial civil chama os dois envolvidos para
seus depoimentos. A reportagem novamente tenta conversar com a integrante dos
bombeiros, mas ela responde na saída: “Sem comentários”. E parte a pé até o
quartel, que fica do outro lado da praça. A PRF já tinha ido embora. No
interior da Central de Polícia, já na companhia de um advogado, o empresário
presta depoimento. Em seguida, é colocado em liberdade. “Não ofendi ninguém, só
comentei que o trabalho deles, quando vieram a primeira vez, não foi bem feito,
pois o fogo voltou e estava prejudicando os motoristas. Nunca mais vou avisar
sobre um incêndio”, desabafou.

























