Vamos à chamada no Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, o CIEP do bairro Canudos, em Novo Hamburgo:
Pato? Presente!
Ganso sinaleiro? Presente!
Ovelhas? Presentes!
Peru? Presente!
Cachorro? Presente!
Quero-quero? Presente!
Galo e galinha? Presentes!
Cordeirinho? Presente!
Esta é uma nova turma que está em expansão. É a fazendinha urbana numa das maiores escolas do município, localizada no coração do bairro mais populoso de Novo Hamburgo.
A bicharada tomou conta do antigo campo de futebol do CIEP, que também conta com horta, forno de pão, galinheiros e outros espaços ocupados por dezenas de animais. “Este é mais um projeto que nasce dentro da proposta do programa estadual Escola Melhor: Sociedade Melhor. Estamos muito contentes, pois essa iniciativa está apenas começando”, destaca o diretor da escola, José Silon Ferreira.
NOME
A fazendinha urbana ainda não tem um nome oficial. Ela será definida numa escolha que envolverá os alunos do Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig. A escola atende 1.100 alunos nos três turnos. “Nossa intenção é sair dos livros e ir para a prática. As atividades que vamos realizar no local poderão ser realizadas por vários disciplinas”, comenta a orientadora educacional do CIEP, Josiane Fernandes Ramos.
A multidisciplinaridade é uma das virtudes da proposta. E a reação dos estudantes tende a surpreender. Isso porque, muitos bichos chegaram exatamente no período da pandemia, quando os alunos estavam em casa. Muitos não circulam pelo antigo campo há mais de um ano, ou seja, não têm a dimensão de tudo que ocorreu naquele espaço. “Estamos alinhando parcerias com veterinários parceiros para poder ter tranquilidade na realização dos trabalhos”, relata Silon.
O VOLUNTÁRIO
Uma das características do trabalho do diretor é dar autonomia para suaequipe incluindo supervisão e coordenação. Foi desta forma que evoluiu a proposta da fazendinha.
Agora, existe uma figura central nessa caminhada: Valdir Luis Lemos de Oliveira. Ele é o voluntário responsável por alimentar e cuidar dos animais. Vizinho da escola, ele tem uma ligação de longa data com o educandário. Durante muito tempo, esteve envolvido diretamente nas equipes esportivas que representavam – e traziam muitos títulos – para a escola.
Com o encerramento de algumas competições e a perda do interesse por jogar bola no campo, ele foi buscando alternativas para que aquela área tivesse um grande potencial de aproveitamento. Foi assim que ele começou colocando umas galinhas. E depois vieram outras. E chegaram os patos. Recebeu doações. Atualmente, são dezenas de animais circulando sem stress por uma grande área verde. “É bonito de ver o pessoal parando na calçada pra acompanhar a bicharada”, exclamou.
Além de cuidar da alimentação, Oliveira ainda é o responsável pela horta – alface, couve e cebolinha são os destaques, monta os galpões, cria novos espaços para as galinhas chocarem seus ovos, entre outras tarefas. É ele que passa pra recolher os ovos diariamente. Está sempre em função.

Foi Oliveira por exemplo, que construiu um forno de pães e pizzas no local. Questionado se foi com argila, ele deu uma risada e logo respondeu: “Barro, meu amigo. Com barro”, explica o habilidoso voluntário. Um brejo que existe ao lado traz ainda mais diversidade ambiental ao cenário.
Ele sabe muito bem o valor deste local. Até 2009, a área junto da escola servia pra juntar mato, mosquitos e descarte de lixo. Então, veio a ideia de estruturar um campinho de futebol. O trabalho voluntário da comunidade ajudou com o cercamento, e máquinas fizeram a terraplanagem. Assim, por uma década, muitos gols foram marcados – e também muitas bolas foram parar em quintais próximos, nem sempre trazendo um retorno agradável de quem tinha sua área atingida pela pelota. Agora, o campinho abriu espaço pra fazendinha.
REAÇÕES
Nesta terça-feira (31), a reportagem do Portal Martin Behrend esteve na escola. E encontrou uma turma de alunos tendo contato com os animais. É inegável o impacto positivo que cria e as reações de curiosidade e diversão dos alunos. “Esse contato com um ambiente assim é fundamental. Vai reforçar o aprendizado e as vivências”, avalia José Silon Ferreira.
No campo, os quero-queros protegem os ovos no ninho feito perto da uma antiga grande área. Perto da outra goleira, os gansos sinaleiros avisam se tem intrusos na área. Um vistoso peru desfila com inegável elegância. Uma ovelha rechonchuda é acompanhada de um cordeirinho com poucas semanas. Um cachorro se diverte com a bagunça dos galos e galinhas. Na água, os patos molham os bicos e se refrescam.
Essa descrição remete ao interior, a uma chácara distante. Mas fica do lado do asfalto, num bairro com milhares de hamburguenses. É uma espécie de reencontro de oportunidades, onde crianças privadas de áreas tão comuns no período dos seus avós podem viver e se divertir com estas experiências. É um projeto promissor. Para ser admirado e replicado. “Se alguma escola se interessar em montar sua fazendinha, vou presentear com um casal de aves”, avisa o voluntário Valdir Luis Lemos de Oliveira.
No link a seguir é possível conferir um vídeo feito no Facebook do Portal Martin Behrend com a visita feita na fazendinha: https://fb.watch/7KwcoOB84P/ .


























