Dezenas de hamburguenses protestaram de forma pacífica, na tarde de ontem, em frente ao Tribunal de Justiça, em Porto Alegre. Com peças de roupas na cor branca e portando vários cartazes, os integrantes do grupo – incluindo crianças e idosos – acreditam na inocência do empresário Werner Glufke, 63 anos, e pedem que ele deixe o Presídio Central, onde está há quase seis meses. “Estamos mais otimistas quanto à nossa luta. Infelizmente, a perícia demora, a justiça é lenta. Mas acreditamos na inocência do Werner”, destaca um dos integrantes da mobilização, Carlos Eduardo Lencini. Em setembro do ano passado, um Habeas Corpus pela soltura de Glufke foi negado pela Justiça
Glufke foi preso após ser acusado de planejar a morte da nora, Cíntia Beatriz Lacerda Glufke. O réu confesso do crime é Vandré Centeno do Carmo, conhecido da família. Ela foi morta em 7 de agosto a golpes de marteladas e posterior esquartejamento, sendo que partes do corpo foram encontradas em uma mala no município de São Joaquim (SC) e outras foram concretadas na residência de Carmo, no bairro Mário Quintana, em Porto Alegre. A esperança da defesa do empresário é uma carta escrita pelo autor do crime, pedindo perdão pela falsa acusação de Glufke ter planejado a morte. O texto foi redigido na frente de policiais. Além da carta, resultados de perícias que somente agora foram concluídas deverão contribuir para que a Justiça inocente o hamburguense.
No Facebook, foi criada a página "Werner Glufke Inocente". Na apresentação, consta um texto num misto de resumo do caso e indignação com o encaminhamento da situação:
“Peço a todos os amigos que entendam o caso e apoiem essa causa em nome da JUSTIÇA, pois isso pode acontecer com qualquer um de nós. Estamos em busca de justiça em nome da Cintia Glufke que foi cruelmente assassinada e esquartejada em agosto por um "amigo" dela.
O caso é tão revoltante que mesmo após o assassino ter confessado o crime, levado a polícia aos restos mortais da vítima que se encontravam enterrados e concretado na casa dele e ter sido visto por câmeras de segurança da rodoviária com partes do corpo da vítima numa mala, a juíza NEGOU a sua prisão por "falta de provas." Ou seja, uma profissional que tem como responsabilidade julgar quem deve ou não ser retirado da sociedade para que tenhamos segurança achou que um sociopata desses tinha o direito de viver em sociedade conosco, responder em liberdade. Absurdo? Tem mais. Óbvio que diante desta barbárie, foi pedido ao MP que analisasse essa decisão da juíza. Foi então que outra batalha começou para a família Glufke e eis o motivo da nossa corrente.
O assassino, que mentiu descaradamente para tentar justificar seu ato, acusou o sogro da vítima sendo que sequer o conhecia, apenas soube que o mesmo estava à procura da nora desaparecida. O novo juiz então, para não cometer o mesmo erro da juíza anterior, fez o contrário: mandou prender todo mundo que foi indiciado, mesmo que sem provas. Nisso, nosso Werner, 64 anos, foi preso mesmo sem provas nenhuma de que tenha participado e ainda com álibi de que estava em Novo Hamburgo e não Porto Alegre no dia do crime.
Essa é a nossa INjustica, senhores, onde se deixa solto o assassino com provas e se prende o inocente sem provas. Incompetência em todas as instâncias. Se nos calarmos, estaremos à mercê desse sistema penal falho, onde psicopatas tem mais direito que cidadãos de bem. Estaremos condizentes a impunidade. Outra questão a ser levantada é o "motivo", a explicação, a desculpa que queremos dar ao feminicídio.
A justiça e a mídia adoram querer pôr a culpa na vítima. Afinal ninguém morreria de forma tão cruel de graça, né? Mais uma vez o criminoso tem mais razão que a vítima, pode contar uma história e justificar o seu ato. Foi exatamente esse pensamento que levou a juíza a tomar tal decisão. Temos que parar de romantizar os crimes hediondos e tratá-los como tal. Que esse caso não seja esquecido e sirva de exemplo de justiça.”

























